sobre como eu envelheço

07jul17

quando o frio de julho começa a me acordar de madrugada

minha barriga já vira do avesso

e eu começo à olhar todos os números do calendário,

que parece correr cada vez mais depressa e gritar comigo

e falar sobre todo tempo que eu já perdi na minha vida

e sobre como eu envelheço

sendo um desperdício de qualquer coisa que eu poderia ser. 

parece que os anos só passam

mas ainda somos iguais. 

as mesmas pessoas, os mesmos medos,

os mesmos planos que a gente foi guardando embaixo da cama

pra dar uma olhada quando a gente ficar sem rumo.

porque na verdade me assusta tanto não ter ninguém pra fazer sorrir

porque na verdade assusta tanto não te encontrar pra me abraçar. 

e eu nem sei se ainda me reconheço no espelho,

ou se quem me encara é qualquer coisa que eu fiz

do que fui perdendo entre discos, livros ou qualquer outro anti-depressivo.

fiz um acordo absoluto com minha existência torta,

e combinamos não enlouquecer,

a não ser que seja por amor.

por amor vale.

às vezes quando falo pouco

é só porque queria te pedir pra ficar um pouco mais.

não é que eu não te queria por perto,

mas é porque preciso cada vez mais de toda sua atenção.

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