nós dois contra o passar das horas

23maio17

foi quando o tempo desenhou a poeira
da velocidade dos dias 
no porta-retrato da sala,
dos amigos que cresceram tão depressa
dos anos que parecem mais curtos,
como todo fim de maio
que a gente risca na parede
até o dia de te ver de novo. 

foi quando minha barba começou a crescer
e me falaram que eu não tinha mais idade
pra continuar tendo esses mesmos planos,
nem cantar essas mesmas músicas,
ou vestir essas camiseta.
acho que só quis me acalmar um pouco,
como se não tivesse mais novidade nenhuma pra te contar
mas quisesse estar falando contigo mesmo assim.

foi quando eu deixei de ver algumas pessoas
e percebi que quem eu quisesse manter por perto
teria de segurar com as duas mãos,
teria que abraçar os ponteiros do relógio
e não deixar eles se moverem,
teria que fazer de conta
que nada muda.
como se fosse fácil
enganar o sol.

foi quando eu tive medo do que estava por vir,
desejei tanto não ver o ano terminar
que ele me deixou pra trás
e fui só passageiro de suas ondas.
como se estivesse olhando pelo vidro
assistindo a chuva a chegar
e procurasse abrigo
e entre os dedos tremidos,
você apertasse minha mão
e fala baixinho que vai ficar por ali, comigo.

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