Ainda bem

26set16

disse que era como borboleta
que entendia de horas dentro de si mesma
se embolando no escuro,
pintando as cores de todas flores que ainda estava por pousar,
como se ela já soubesse de tudo que iria acontecer
e já pudesse me contar,
já sabia que seria assim desde a primeira vez que me viu nos olhos,
sabia que pousaria em mim
calmamente com suas asas.
por isso ficava no escuro,
sempre preferia se encontrar antes de encontrar alguém,
e que doía a luz do sol nos olhos
mas que também depois vivia tão plenamente
que todos os contados minutos eram infinitos.

depois disse que nosso tempo por aqui era pouco
que era como poeira nos móveis só esperando a mãe vir limpar,
um relógio sem ponteiros
a pedra que desgasta toda vez que bate água do mar,
e por isso não tínhamos tempo

mas, se você sentar aqui,
se ficar assim, tira o sapato
a gente congela essa tarde de tanta preguiça
da televisão no mudo, do sofá de três lugares.

a gente cresce tão depressa
que quase desaparece antes de se entender por inteiro.
mas você me sorri assim,
ainda bem.

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