De Porto Alegre à Manaus (ou, O Show do Zander em Bauru)

07jun16

– esse post era pra ter saído ontem, mas eu dormi por mais horas do que eu planejava. então tô escrevendo agora, procurando por fotos (e confesso que não achei nenhuma por aí) e cantando as músicas que não saem da minha cabeça.

“…seu delegado venha ver que confusão, estão mandando brasa no meio do salão”.

Fui num show do Zander no domingo. E essa foi a primeira música, “AUTO FALANTES”, sem dizer nada antes, a música começa, o Bill sai do microfone e todo mundo grita que agora sim estamos quase perto de escutar, gritando nos auto falantes a voz de todos nós!! 
E essa música faz parte de mim, de gritar muito no refrão e abrir os braços pra dizer ‘longe de casa, perto de nós mesmos’.
Já começou da melhor forma possível.

Eu tinha parado de escrever sobre shows, mas esse merece um post.
Porque esse não vai ser simplesmente um texto sobre o show… Acontece que a última vez que o Zander veio pra perto foi em agosto de 2011, em São Carlos, e a vida era uma bagunça e é engraçado o quanto as coisas mudam tanto e a gente nem percebe. Então, mais do que falar sobre o Zander, esse é um texto sobre o tempo que passou.

Pra começar, eu fui dirigindo dessa vez, pra começar, comigo foram o Gui, o Teago, o Tiago e o Muka e pra começar, eu percebi que ainda tenho medo de chuva – e se você mora no estado de SP, você sabe o quanto essas últimas 2 semanas foram molhadas. 

As bandas de abertura eram legais – só uma na verdade, a que tinha um guitarrista que o Teago achou bem bonito – a casa tava meio vazia e quando procuramos alguma luz legal pra tirar uma foto, encontramos a banda sentada num sofá. Era o Zander. Foram super simpáticos e tiramos a foto horrível que tá aqui embaixo:

zander

Depois da primeira música, o vocalista, Bill Zander, agradeceu por todo mundo que veio e que não tinha problema que não tivesse muita gente, o show ia ser foda mesmo assim e aí ele estendeu a mão e começou a cumprimentar a gente que tava bem ali na frente.
Ah, é verdade, ficamos bem na frente do palco, tipo, a meio metro deles, vantagens de um lugar legal como o Jack.

E então, a segunda música foi “DIALETO”. Se eu fosse fazer um top10 das minhas músicas favoritas da vida, essa com certeza estaria por lá. Falávamos sobre ela no carro, sobre a construção do refrão: “…e eu parei de insistir, desculpa então. Você merece o mundo e eu talvez não”.  
Isso é uma coisa muito legal do Zander, eles tem poucas músicas que falam de amor, mas as que falam, são tão sinceras e com letras tão legais, que o coração meio que aperta. 

Logo em seguida emendaram duas antigas: “COMO ARDE, SÔ!” e “PEGUE A SENHA E AGUARDE”. Acho engraçado, que essas são 2 músicas que eu comecei a gostar mais com o tempo, principalmente a primeira, acho que eu não entendia a letra tão bem. Mas aquele final: ‘e sempre que der, vão te dizer pra nem tentar, que já é hora de crescer e de parar de usar as roupas de sempre. Quando é que vocês dois vão casar? A gente escolheu se respeitar, obrigado por perguntar’. É genial! Ah, e essa foi a primeira que teve um bate cabeça logo atrás de mim.

Agora, “PÓLVORA”, com direito a um final instrumental foda. E claro, essa é umas das melhores. Afinal, ninguém pode nos defender por escolher viver de uma forma não convencional.

Eu não posso deixar de pensar o quanto Zander faz cada vez mais sentido com o passar dos anos. Sabe, eu tentar escrever meus livros, entrar numa faculdade de cinema. Sempre que der as pessoas vão mesmo te dizer pra tentar e aí ou você acredita nelas, ou vive da sua forma. E é bonito, o Zander faz a gente acreditar nas coisas…

Eles pararam um minutinho pra mudar a afinação, o Bill disse que era aniversário do guitarrista e cantamos parabéns e logo em seguida começou “SIMPLES ASSIM”. E eu podia postar essa letra toda, mas só essa parte vocês já vão entender, que berrar isso a plenos pulmões faz um bem danado: “e é certo que eu não vou mudar de direção, enquanto o mundo não nos entender a gente fica aqui de baixo desses cobertores, onde a gente é quem escolhe o som, sem rádios e televisores pra decidir por nós“. 

O último trabalho que eles lançaram foi o EP’tizer, com só 5 músicas. Tocaram 2 no show. E “TERMORREGULADOR” foi a primeira delas e a vida é mesmo torta e o amor sempre volta e mostra o que importa no fim. 
E então, o Gui e o Muka quase pariram gatinhos, “SENSO”, antes de tocar, ele viu o Gui gritando sem parar e deu uma piscadinha. Essa é daquelas músicas que tomam rodas de discussão e dá pra ficar horas falando sobre ela. E parece que todo mundo no show é praticamente um só, porque a voz falha de tão alto que a gente canta e chega a arrepiar. E o Gui postou tanto essa frase por aí, que ela precisa estar aqui: “e não estamos sós, camisas do Iron Maiden, de Porto Alegre à Manaus!!“.

Mais uma pausa, o Bill apresenta o Fran, o cara que vende as coisas, os cds, as camisetas e viaja com eles fazendo isso. E disse que a próxima música, como sempre, é em homenagem à ele. “HORTELÔ. E pra cantar esse refrão eu abria os braços e o Muka me abraçava e a gente gritava que já é hora de deixar este lugar salgado ficar mais doce, crescerem flores e outras formas de amar sem julgar!!!!
É lindo.

A próxima, com aquele riff que arrepia a vida, “MEIA-NOITE” (que por algum motivo tá no set list como ‘meia hora’). Depois de tantos anos ouvindo essa música, eu vejo ela como uma canção de amor cansada. Que já apanhou pra caralho e agora só quer ficar tranquilo. Sabe, ‘e não tenho promessas, nem carrego juras de ser melhor dessa vez, a gente é que sabe o quanto já se fodeu’. E acho que essa foi uma das que eu mais vi o Teago cantar. Que ele mais berrava ali perto de mim. Ela é bem boa mesmo. 

Quando lançaram o disco Brasa alguns anos atrás, essa foi a primeira que eu mais gostei, “TODOS OS DIAS”. Acho que aquilo que ele canta no refrão é uma coisa que eu sempre digo pra mim: ‘vale tudo que não seja nos repetir’
E ele cantou: ‘não se recupera mais a inocência de um jogo de futebol no pré escolar descalço, alguns ainda jogam, mas só aos domingos, outros nuncas mais e tem aquelas que não param de acreditar!‘ – e ele apontou pra a gente que tava ali na frente. Ah, e no final, O Bill derrubou a palheta e caiu perto do meu pé, eu achei que ele ia pegar outra, mas dai começou a tocar com os dedos, então eu abaixei e devolvi. E ele agradeceu.

“ATÉ A PRÓXIMA PARADA” tem aquele gostinho de canção que muda com a gente por dentro, ainda mais com a sequência que fizeram logo depois: “MOTIM”, “HUMAITÁ” e “LINHA VERMELHA”.
Eu tenho um negócio com essa Humaitá, que na verdade me ajudou bastante a aceitar a forma como a vida corre. Aquela frase ‘alguns anos a mais podem definir mais do que a universidade que o seu pai pagou’. E isso é tão claro e meu deus, isso faz um sentido enorme até hoje. Não é a faculdade que vai fazer você ser alguém, não é isso que te define como pessoa. E como repete tanto no final da música: a gente só vai até aonde acreditar. 

A gente olha ao redor e tem tanta urgência das coisas, que esquece de deixar o tempo nos dizer quem somos. E se a gente não sabe quem é, imagina que vai saber do que gosta ou no que acredita. 

E a Linha Vermelha, que diz que se a vida nos trouxe até aqui, as canções podem nos unir…

Então o show tava acabando. Era a última, disse o Bill, “DEZESSEIS”. Essa é a música que, dependendo do momento da sua vida, vai te fazer chorar igual criança. Eu tenho um amor claro por letras de música bem escritas. E nessa, ele monta algumas frases que são tão casuais, mas de um significado absurdo quando você canta. Tipo: “ela te pediu, os pais dela não podem saber e o que ela sente você nunca vai entender”. Ou o final: “mais forte que tudo que você sonhou, mais forte que tudo que ela já sentiu, mais forte do que qualquer explicação”. É simples. Mas é incrível. 

E então acabou, morri de berrar com essa última e o Bill me estendeu a palheta, acho que por agradecimento por eu ter devolvido lá trás. Mas ai gritamos pedindo mais uma. E eles ficaram. Eu estendi a palheta e ele disse: obrigado, eu só tenha essa, já te devolvo. Essa música chama “SUNGLASSES”.

Alguns anos atrás eu não saberia dizer pra onde iria minha cabeça com essa música. Mas agora existe Mariana… ‘neither cigarretes or smoke could overshadow her smile’. Essa é outra das músicas de amor e é uma das mais bonitas. Adoro como ele canta o começo do refrão: “Just for being amazing. Just for being a normal girl”
E a última, pra valer agora, “BATTLEFIELD”. Terminando de forma bem bonita. E então o Bill me entregou a palheta outra vez e era o fim. Aí eu pedi o set list para o baterista, exatamente pra escrever isso daqui.

A volta pra casa foi uma corrida contra a chuva, com um Gui que por algum motivo estava sem camiseta e uma parada estratégica pra todo mundo mijar. Eu preciso contar qualquer hora sobre a Lenda do Teago que tomou 5 cervejas quentes em 10 minutos, mas fica pra outro texto. 

Por agora eu só quero falar do tempo que passou, como a gente sabia que ia passar. E que algumas coisas mudam tanto que a gente até assusta quando percebe, mas algumas outras são tão iguais que a gente só abraça nossos amigos pra manter todos eles cada vez mais perto.

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One Response to “De Porto Alegre à Manaus (ou, O Show do Zander em Bauru)”

  1. porra… do caralho velho…queria ter ido…o cara é um dos meus heróis do rock brazuca…foda pra kct


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