como um passageiro

17maio16

desejava tanto deixar de ser ele mesmo
que logo se viu em outro.
e percebeu que o outro já não era mais outro
se não ele mesmo.
aquele ele antigo que antes o fazia ser alguém
agora já não existia,
pois ambos – ele e o outro –
eram apenas o outro.
e ele, pouco a pouco,
já não se sentia mais alguém.

foi sendo outro que percebeu
todas as faltas que ser alguém lhe fazia.
partiu então, dali em diante
numa busca desenfreada por ser aquilo que se esquecia.

mas ser alguém de novo exige muito esforço
é muito fácil ser apenas cópia do outro.

desejava tanto voltar a ser ele mesmo
que percebeu nunca ser ninguém.
percebeu que precisava deixar algumas coisas,
era como um passageiro
e já estava de saída outra vez.
logo juntou tudo que mais gostava dentro de uma caixa
mas deixou bastante espaço 
para todas as novas coisas que ainda pudesse gostar.
e foi se refazendo em cada nova história que tinha pra contar.

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