As coisas que ninguém sabe como contar

18abr16

Estávamos todos em silêncio,

Depois de nossas ofensas

A gente não sabia lidar com o que sobrou.

Éramos como meninos na rua jogando futebol

E agora que a bola foi parar na janela da vizinha

A gente fica em silêncio.

Brincávamos apenas sobre as possibilidades.

Agora ninguém tem nada a dizer.

Alguns ficam com em silêncio por medo do que aconteceu,

Outros por medo do que ajudaram a fazer.

No fim é tudo sobre nós.

Não sobre eles.

Eles nunca são atingidos.

A gente chora, luta, chuta a bola na vidraça.

Mas eles… Eles não.

Eles só falam na primeira pessoa do singular.

Eles mandam a faxineira varrer o vidro pra debaixo do tapete,

E nem ligam se a criança machucar os pés amanhã cedo quando acordar.

Eles são tão fortes em roupas bonitas

E a gente tem os pés no chão

A garganta arranhada de gritar.

Eles acham que falam por nós,

Mas eles nunca souberam o que é estar aqui.

Deus fechou os olhos e a música parou de tocar

Voltavamos para casa sem dizer um pio

Ninguém tinha vencido,

Mas todos perderam.

E isso pesava no ar.

Fazia parte das coisas que ninguém mais sabia como contar.

Se até eu me preocupo,

Como eles conseguem dormir a noite?

E vocês?

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