Sobre canecas de café

30dez15

O café era quente. E eu observava a forma como os dedos dela seguravam a caneca cheia até a metade. As unhas pintadas de lilás, soavam quase como uma combinação proposital, fazendo par com a caneca roxa.

Uma chuva fina esfriava o vento que entrava pela janela. Eu tinha certeza que isso era só um sinal, uma forma de deus falar pra gente que tá limpando todas as coisas ruins que passaram por aqui esse ano e que daqui pra frente só valia guardar o que era bom. 
Que de resto a gente deixa.

Então, no mesmo instante, segurei ela bem perto de mim. Para poder ver as cores de seus olhos. Para poder falar sobre amor. Para aprender a ter calma. Para dividir a caneca de café quente. Para dizer baixinho o nome que tem me soado mais bonito: Mariana. 

Tem uma frase de música na caneca que ela segura. E um desenho bonito. A televisão tá ligada e a preguiça passeia pelos cômodos da casa. 

E se ao invés do café, a gente pudesse escolher tudo que vivemos por esse ano para colocar na caneca e bebermos de uma vez? Para ficar sempre marcado dentro da gente. O que fica desse ano?

Enchemos duas canecas inteiras. Uma com tudo de bom que a gente teve, de um ano, que me arrisco a dizer, foi bem bom. Na outra foram os dias ruins. Porque não se pode esquecer deles. Faz parte de quem somos. Faz parte do que o amor entrega. 
Um gole de cada. 
Ela me lembra que eu não gosto de canecas. E eu lembro que ela me conhece melhor do que eu às vezes. 

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