Medo de Trovão

09set15

Quando chove assim,
lembro que nem sempre tenho o controle de tudo
e que já é hora de crescer,
e parar de passar a madrugada acordado
toda vez que tem barulho de mais na janela.
Me encolho no canto do quarto
ou embaixo do cobertor,
rezando para que as paredes aguentem
que o teto não desabe
que essa tempestade não vire o meu barco
porque nunca aprendi a nadar. 
Mas um risco ilumina o céu
e eu penso que se Deus tivesse uma voz,
seria assim. Como um trovão.
A terra treme e logo depois o silêncio
a gente se olha meio que perguntando ‘e agora?’
e ninguém responde, 
porque na verdade não é Deus – e se fosse, ele nem iria responder – 
é só a chuva, só uma tempestade,
só o nosso barco navegando até a próxima calmaria,
então nos abraçamos forte enquanto o barulho aumenta
e talvez o mundo acabe hoje, e a gente não veja mais o sol nascer
entre tudo só penso que não quero mais ter medo
então você segura a minha mão, bem forte
e diz que também tem medo
mas que passa por essa se eu passar também,
é só outra tempestade,
vamos conversar enquanto o céu caí
que Deus vai se distrair com nossa voz
e de tão curioso, vai parar pra ouvir o que a gente tem a dizer,
e as estrelas vão brilhar quando a gente menos perceber. 

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