Daquelas fitinhas de Nosso Senhor do Bonfim

10abr15

…então ela me deu uma fitinha, dessas coloridas, iguais aquelas que meu tio trazia da Aparecida do Norte, mas essa era mesmo da Bahia e assim me parecia bem mais bonito, quase uma peculiaridade, e ela disse que era para dar amor e sorte. Mas muito mais amor, que sorte a gente conseguia dar um jeito, já que eu sou um desastro, então se tudo parecesse tão ruim, viveríamos no abraço um do outro. E ela ainda disse que a fitinha era azul-claro assim, porque era da Iemanjá, que a deusa do mar me abençoe e eu nem precisava mandar barquinho de oferenda, bastava deixar levar. Achei estranho e disse pra ela, já que ela sabia que eu nunca tinha visto o mar de perto. Mas a Mariana tem dessas coisas bonitas. Ela disse que não tinha problema, que o mar vivia todo dentro de mim, e que tinha um mar de amor para me dar. Então eu devia mesmo era fazer três pedidos e amarrar logo a fitinha no braço. Azul-claro então. Por Iemanjá. 

O primeiro pedido era pra sempre ter fé. Nada religioso ou divino. Mas para nunca perder essa fé bonita que eu tenho da gente. Ela disse que eu não podia falar, que era para pedir só dentro da minha cabeça. Mas eu não mudei de pedido, não. Quero ter sempre essa nossa força, esse apertar de mãos de quando as tempestades chegam e a gente sabe que vai passar, let it be, já já o sol vem.
O segundo pedido foi uma lua cheia e enorme no céu. Eu queria mesmo que ela soubesse o quanto fica bonita nessa luz branca e o quanto eu decorei cada detalhe que faz ela tão Mariana e o quanto eu dormiria na curva que faz o lábio dela quando sorri. 

Ela devia saber. Fala pra ela.

E o terceiro nó eu não sabia o que pedir. Acho que já estava bom. Eu tinha 2 ótimos pedidos e a Iemanjá para cuidar de mim. A Mariana me olhou como que perguntando e agora? E então decidi. Deixei os dedos dela esperarem mais um pouco sobre minha mão antes de amarrar a fitinha pela terceira vez, e sorri com o toque leve dela. E então concordei. Mas acontece que não tinha pedido. Não exatamente. Tem ela, na verdade. E acho que a Iemanjá pode descansar um pouco, porque essa menina já me trás toda sorte que preciso.

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