quantos oceanos forem necessários

04nov14

tinha decidido que agora era questão de sobrevivência. não tinha mais aquilo de seguir a maré e a força do vento. derrubaria a porta, quebraria as janelas, incendiaria o quarto. não podia mais esperar, tinha a sensação de que sempre esperara por tudo na vida toda. mas e se agora, e se só agora, fizesse questão de segurar tudo bem forte com as duas mãos? não era mais barquinho na lagoa deixando deus levar, agora era remo nas mãos e que viesse chuva e furacão, seria até mais divertido! 

com  esses pensamentos ela segurou o celular entre os dedos, mas antes de começar a digitar, ele começou a vibrar.

– alô?

– eu tava aqui pensando, teremos problemas.

– sim.

– problemas enormes e às vezes você provavelmente vai querer me matar e eu, provavelmente, vou querer sumir.

– sim.

– mas olha…

– me escuta primeiro.

– deixa eu falar…

– eu sou boa de remar.

– hum?

– a gente vai além.

– eu não sei nadar, cê sabe morro de medo…

– eu sei…

– deixa eu falar, por favor… eu morro de medo, mas por você eu atravesso quantos oceanos estiverem pelo caminho.

ela já sabia que o amor tinha dessas coisas.
desses medos absurdos. e dessa vontade doida de atravessar quantos oceanos forem necessários, mesmo não sabendo nadar.
e quem liga? por favor, é só um pouco de água.

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