olhos que serviam como cartão postal

05jun14

Já fazia um tempo em que ela sentia aquilo de ir se desdobrando enquanto acorda.

Acontece que cada mexer de dedos era uma lembrança preguiçosa que lhe tirava um sorriso. Ela abria os olhos com a certeza convicta de quem descobre pela primeira vez na vida que pode sim ser feliz. Chocada com tal descoberta ela brincava de encontrar desenhos de cachorros que corriam pelas manchas no forro de madeira.

Levantar não era importante.

Sorrir era.

Ele não dormiu muito. Não podia respirar. Mas percebeu que não tinha problema algum. Passou a noite lembrando dos contornos do nariz dela. E quando levantou no outro dia, percebeu-se apaixonado.
Lembrava que ela tinha olhos que serviam como cartão postal. Uma fotografia que ele gostava de ver, uma promessa de todas as coisas boas que se enfileiravam e agora competiam para o fazer sorrir.

Chegou mais cedo, para não perder nada.
E foi embora só depois da hora.

Foi embora querendo ficar. Querendo dizer: e agora? Me leva para sua casa. Me deixa dormir na sua rua. Me apresenta seus amigos. Não me fala dos antigos amores. Eu não tomo café, mas aceito se oferecer. Como fingir que nem liguei quando agora eu quero que você repita tudo? Como posso te contar que já fiquei maluca?

Era um medo bobo, mas que não dizia nada.
Ela percebeu que era sobre viver o que se sente, e o que não puder evitar, que leve o nome de amor.

Anúncios


No Responses Yet to “olhos que serviam como cartão postal”

  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: