NEVE

14abr14

tinha algumas violetas esperando na janela
e algumas outras tocando no meu ouvido.

acontece que esse foi um dos finais de semana mais legais dos últimos tempos,
sabe, desde quando tenho ficado cansado demais para apreciar qualquer coisa que não seja um filme
ou uma noite sentado assistindo a vida correr um pouco
com algumas das minhas pessoas favoritas no planeta.

mas esse foi bom.

pra cacete.

tão bom que o douglas adams não parou de passar pela minha cabeça
com aquele personagem do ‘até mais e obrigado pelos peixes!’
que na verdade é o último descendente do deus da chuva,
então pra onde quer que ele vá, chove.

na verdade,
eu queria contar sobre o fone de ouvido e a chuva na janela,
mas não consigo sem dizer que antes conheci a mãe mais legal do mundo
que falava comigo sobre cinema
como se tivesse me conhecido a vida toda!

e a aula de esperanto
(e o professor nem sabe escrever ‘quati’, por favor)
e todas as pessoas que eu não conhecia,
e as minhas mãos cheias de tinta
e as minhas roupas cheias de pelo branco
da gata mais carente do universo.

e junto com as violetas que tocavam no meu ouvido,
tinha a chuva.

e um livro.

que eu deixei as 50 últimas páginas,
pensando: vou terminar na viagem de volta.
feito!

mas antes tinha aquele sorriso que sempre gostei de ver
‘alguém que te faz sorrir’, sabe?
falo com carinho.
sobre sermos os mais estranho num lugar de gente estranha
e sobre o cinema,
já que não existe forma melhor de ver um filme – aonde a arara azul principal chama Jade –
do que com a Jade de verdade.
e a música não sai da minha cabeça,
aquela que canta seu nome e fala:
VOCÊ CHEGOU PARA ALEGRAR O DIA!
– e isso é sobre a poesia de quando a gente conversa,
e de todas as coisas boas que eu te prometo que agora estão por vir.

e eu já contei para todo mundo sobre o livro,
sobre o menino cada dia acordar dentro do corpo de alguém
apenas como passageiro.
e, sem querer, acaba se apaixonando por uma garota.

então tinha as violetas na janela
e as 3 páginas finais

e então eu entendi.
sabe?
quando você finalmente entende como vai acabar.

e meu olho ficou todinho cheio de lágrimas.
e ficou difícil para cacete acabar de ler.

pode perguntar por aí, eu nunca choro.

mas acho que aquele final de livro era todo sobre mim
quase como se eu tivesse escrito.
na verdade, virou uma daquelas coisas que a gente daria tudo
pra ter saído de dentro da nossa cabeça.

porque eu voltei doidinho de vontade de falar contigo
e lógico que você não tava e óbvio que demoraria horas para me responder,
de todas as coisas que escondo
só pra não precisar te contar,
não que eu não queira,
mas eu não saberia como te olhar depois.

já que afinal, isso virou uma de minhas coisas favoritas
sabe?
só te olhar.

mas antes tinha uma cidade que eu gosto tanto
tinha ‘home’ tocando na minha cabeça
porque é impossível não lembrar dela,
cantando rap na cozinha – porque eu nunca ouvi direito nada do racionais
e só repetindo aquilo que eu disse alguns anos atrás
sobre, cacete, não existir ninguém tão bonita quanto ela nesse lugar.
e essa é toda verdade.

então acabo o livro
viro para o lado da janela
a música muda,
ordem aleatória

é Beatles.

Anúncios


No Responses Yet to “NEVE”

  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: