sobre o azar

13jan14

fica difícil até de contar.
como se a vida te segurasse com força e dissesse: agora não. e eu tento me debater e gritar e fazer qualquer coisa que me permita sentir minhas pernas andando em frente. com aquela cara de quem acordou mais tarde e perdeu a hora do único trem que passaria naquele ano.

acho que passo meu tempo escrevendo sobre desajustados. mas não é por interesse, é aceitação, é um reflexo de como eu me encontro. o senhorzinho que tira a sacola do bolso, desamarra e conta moedinha por moedinha, ou a senhora que pela trigésima vez me conta sobre o marido que morreu enquanto recolhia roupa no varal.
são corações desajustados. uma preguiça boba de voltar a sonhar. como se estivesse acordando mais cedo como uma forma de aceitar o que a vida reservou. uma vez uma garota me disse que eu devia aprender a relaxar, aprender a sentir a beleza de passar o dia todo deitado na cama sem fazer nada. eu lembro de ter dito pra ela: eu enlouqueço.

é verdade quando dizem que não existe um caminho mais fácil. às vezes algumas pessoas devem ter mais sorte.
mas tenho uma teoria de que os azarados são os melhores, porque não existe briga mais animada do que ter o destino contra – só vocês dois, seu coração contra o mundo – e mesmo assim ter a certeza de só parar quando vencer.

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One Response to “sobre o azar”

  1. Você não é imbecil e muita gente te ama.


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