O interrogatório – feito pelo policial Jones – dos 5 suspeitos de assassinarem o bispo

04nov13

(As cortinas estão fechadas, entra a repórter com um microfone em mãos).

REPÓRTER: boa noite, nossa equipe do ‘jornal da noite’ conseguiu, com exclusividade, assistir ao interrogatório dos 5 suspeitos do assassinato do bispo Armélio, que foi encontrado morto com 4 tiros na cabeça na última segunda-feira. Bispo Armélio era um homem respeitável, conhecido pelos seus trabalhados voluntários e por ter suas missas de domingo sempre cheias!
O policial responsável pelo andamento do interrogatório é o delegado Jones, com a parceria do detetive responsável pela captura dos 5 suspeitos. Conhecido como Detetive Bill.
As imagens que mostraremos a seguir são inéditas e exclusivas. A delegacia deu permissão única para instalarmos câmera dentro da sala para que não houvesse dúvidas sobre quem seria o assassino.

(Abrem as cortinas, Policial Jones está sentado numa cadeira, com os pés apoiado na mesa e um charuto na boca. Os 5 suspeitos estão na parede oposta)

POLICIAL JONES: agora dancem, vai cacete! Dancem!

(ele tira uma arma da cintura e coloca em cima da mesa, os 5 suspeitos erguem os braços e começam a dançar)

POLICIAL JONES: hahahaha! Isso mesmo! Vocês são muito bons! Agora façam um passo de ballet! Anda, aquele negócio de erguer os braços e girar! (nenhum deles faz o passo) Cacete! Eu tô mandando vocês fazerem a merda do passo de ballet! (fica em pé e levanta a arma) Eu tô louco pra meter a bala em algum de vocês e dar o caso por encerrado! Por favor, me deem algum motivo, é tudo que eu peço!

(alguém bate na porta)

VOZ: o detetive.

POLICIAL JONES: merda! Ok, vamos começar, sentem-se com educação, o detetive gosta das coisas bem organizadas.

(os homens sentam-se nas cadeiras ao redor da mesa. O detetive entra)

DETETIVE: olá Jones, boa noite. Espero que não tenham começado a se divertir sem mim.

POLICIAL JONES: pode fica tranquilo, só estávamos nos conhecendo melhor, eu e os meninos.

DETETIVE: que bom! Fico feliz que esteja criando laços de amizade, Jones. Deus sabe o quanto você precisa. Bom, antes de começarmos oficialmente eu gostaria de informar que eu permiti que a rede de televisão nos filmasse. Acho que não temos nada a esconder, não é?

POLICIAL JONES: vocês bichas apareceram rebolando em rede nacional.

DETETIVE: Claro que se algum de vocês se opuser a isso, eu já posso deduzir que esse é o culpado e já encerramos o caso por aqui e não perco a minha noite. Então se alguém quiser se adiantar, eu seria muito grato! Ninguém? Que pena. Bom, vamos nos apresentar… Eu sou o Detetive Bill, responsável pela prisão de vocês 5 como suspeitos e me ofereci como ajudante do policial Jones na interrogação. O Jones vocês já conhecem. Acho que ele estava quase botando na bunda de vocês alguns minutos atrás.

POLICIAL JONES: meu charuto ia entrar seco no rabo deles.

DETETIVE: esperem as câmeras estarem desligadas por favor, não podemos traumatizar o país. Bom, vou explicar como vai acontecer: vocês assistirão ao interrogatório um do outro. Mas, por favor, palpitem apenas o que acharem necessário, qualquer coisa eu peço para desligarem as câmeras e deixo o Jones brincar com o rabo de vocês.

POLICIAL JONES: será um prazer.

DETETIVE: Então, eu escolherei quem vai conversar com a gente primeiro. Eu fiz uma ordem antes de vir pra cá, então não se preocupem eu separei como eu acho mais interessante… (NA: os 5 suspeitos são identificados como um magrelo, um negro, um barbudo, um bem gordo e um japonês). Pietro. Quem é Pietro mesmo? (o magrelo levanta a mão) ótimo! Os outros afastem as cadeiras até a parede do fundo. (os outros 4 afastam as cadeiras, fica apenas Pietro). Ok, Jones, faça o seu trabalho.

POLICIAL JONES: Pietro?

PIETRO: isso.

POLICIAL JONES: olha, seu merda, fala que foi você quem fez essa porra com o bispo. Então eu nem preciso dar na sua cara e você pega sua sentença e pelo menos da minha parte, você chega até lá com o cu intacto. E acredite, assim vai ser melhor pra nós dois.

PIETRO: não fui eu.

POLICIAL JONES: você não tá ajudando seu escroto.

PIETRO: não fui.

POLICIAL JONES: merda, eu tinha esperança em você seu porra. Então vamos, me conta o que você fazia e como conheceu o velho Armélio.

PIETRO: eu era coroinha. Fui durante uns 10 anos.

POLICIAL JONES: o que aconteceu?

PIETRO: eu cansei.

POLICIAL JONES: relaxa garoto, não vou te prender por isso, também fui coroinha com o Armélio. E larguei essa vida pra botar na bunda de caras iguais a você… Me conta, porque deixou essa vida?

PIETRO: eu precisava estudar.

POLICIAL JONES: olha sua cara de drogado, olha sua cara de merda. Conta uma melhor.

PIETRO: eu estava cansado.

POLICIAL JONES: eu vou pegar a merda da minha arma e atirar na sua cara.

PIETRO: sério, eu estava cansa…

POLICIAL JONES: (se levanta, pega na nuca de pietro e põe a arma na cara dele) EU NÃO ESTOU BRINCANDO, SEU COROINHA DE MERDA. ACHO BOM VOCÊ ME FALAR A VERDADE, PORQUE TÔ COMEÇANDO A ACHAR QUE O VELHO DO ARMÉLIO TE FAZIA DE MENININHA! ERA ISSO, NÃO ERA? VOCÊ ERA O FAVORITO DO ARMÉLIO?

PIETRO: não não não…

POLICIAL JONES: ENTÃO ME CONTA!

PIETRO: eu parei de acreditar em Deus!

POLICIAL JONES: (começa a rir, primeiro um pouco, depois ri muito e sem conseguir se controlar) você vai pro inferno, garoto! O Armélio que ia acabar metendo 4 tiro na tua testa

DETETIVE: já chega, Jones, podemos chamar outro.

POLICIAL JONES: sério? Nem comecei ainda, Bill. Posso fazer ele confessar todos os pecadinhos? Quer saber se ele se masturbava dentro da igreja? Posso fazer ele contar.

DETETIVE: não, vamos chamar o próximo… Senhor Okazaki, pode vir.

(o japonês troca de lugar com Pietro)

POLICIAL JONES: como conhecia o Armélio?

OKAZAKI: eu era o contador dele.

POLICIAL JONES: contador? Muito bom, Bill. Agora me surpreendeu…

DETETIVE: eu só faço o meu trabalho.

POLICIAL JONES: vamos começ…

OKAZAKI: eu sei quem foi, não fui eu. E não me anima a ideia de te contar.

POLICIAL JONES: eu posso quebrar a tua cara.

OKAZAKI: você não vai fazer isso, Jones.

POLICIAL JONES: e por que não?

OKAZAKI: porque não ousaria.

POLICIAL JONES: o velho tinha muita grana escondida?

OKAZAKI: eu me reservo o direto de ficar em silêncio e só falar com meu advogado, e perante o juiz. Ah, e também me reservo o direto de te mandar a merda.

DETETIVE: pode voltar para o fundo Sr. Okazaki. Agora, pode vir Fabricio.

(o homem gordo se levantou e sentou-se na frente).

FABRICIO: eu só falo com meu advogado.

POLICIAL JONES: você tem um advogado? Tem dinheiro pra contratar um?

FABRICIO: não.

POLICIAL JONES: ótimo! Então podemos designar um… Bill, quer ser o advogado dele?

DETETIVE: eu adoraria!

POLICIAL JONES: ótimo! Me conte então, Fabricio, como conhecia o velho Armélio?

FABRICIO: ele me ajudava, desde a morte da mamãe.

POLICIAL JONES: aé? Como?

FABRICIO: ele mandava dinheiro todo mês.

POLICIAL JONES: quanto?

FABRICIO: uns 700 reais.

DETETIVE: como advogado do Fabricio, eu digo que já chega.

POLICIAL JONES: que merda você está fazendo, Bill? Os 3 podem ser cúmplices um do outro!

DETETIVE: mas não são! Vá para o fundo Fabricio, venha João Francisco.

(o negro se levanta e senta-se na frente)

POLICIAL JONES: (tirando outra vez a arma da cintura e colocando em cima da mesa, apontada pro João Francisco) fala tudo que você sabe.

JOÃO FRANCISCO: eu nunca conversei com o bispo.

POLICIAL JONES: então por que está aqui? Que merda é essa, Bill?

DETETIVE: ele estava no local e viu o assassino…

POLICIAL JONES: é? o que você viu?

JOÃO FRANCISCO: eu vi um vulto… Um homem com uma capa toda preta, mais ou menos da autora do senhor.

POLICIAL JONES: e o que mais?

JOÃO FRANCISCO: eu ouvi os 4 tiros e chamei a policia. Então o homem passou correndo…

POLICIAL JONES: só isso?

JOÃO FRANCISCO: só.

POLICIAL JONES: vai pro seu lugar. O último?

DETETIVE: Edgar…

(vem o homem velho)

POLICIAL JONES: o que você tem pra me dizer?

EDGAR: eu acho que o velho cometeu suicídio.

POLICIAL JONES: com 4 balas na cabeça?

EDGAR: pode acontecer.

POLICIAL JONES: como alguém comete suicídio com 4 balas na cabeça?

EDGAR: esse é o teu trabalho, Jones, não o meu.

POLICIAL JONES: o que você faz aqui, Edgar?

EDGAR: eu não faço a menor ideia, Jones.

DETETIVE: o Edgar é meu principal suspeito.

POLICIAL JONES: eu sinto o cheiro de sangue nele. Sangue e merda.

EDGAR: eu posso fumar aqui?

POLICIAL JONES: claro, seu último cigarro como homem livre.

EDGAR: e você no último cachimbo.

POLICIAL JONES: é uma ameaça? (aponta a arma pra cabeça de Edgar) meu Deus, já faz umas boas horas que não estouro os miolos de alguém! E você já quase fez uma confissão. Já sinto que é o bastante pra estar morto e dar caso encerrado.

EDGAR: você quer acabar isso muito depressa, não é?

POLICIAL JONES: não quero passar minha noite com gente igual a você.

EDGAR: relaxa Jones, você consegue conviver consigo mesmo. Eu sou fichinha.

POLICIAL JONES: você quer mesmo morrer não quer?

EDGAR: quais motivos são convincentes o bastante pra matar alguém?

POLICIAL JONES: matar um bispo parece um motivo bastante bom.

EDGAR: e por quais motivos eu mataria um bispo?

POLICIAL JONES: eu não sei entender a cabeça de pessoas doentes.

EDGAR: ah Jones, não se faça de bobo.

POLICIAL JONES: posso entender como uma confissão?

EDGAR: pode entender como uma acusação. As câmeras te pegam também, Jones.

POLICIAL JONES: Bill, temos o nosso homem!

EDGAR: sim, Bill, temos o nosso homem.

POLICIAL JONES: está se entregando fácil assim?

EDGAR: me diga, Jones, como foi ser a namoradinha do bispo Armélio por toda infância?

POLICIAL JONES: (sobe na mesa e dá um soco na cara de Edgar)

EDGAR: você era apaixonado por ele? Ou você é covarde demais pra dizer alguma coisa?

(Jones pega a arma e dá 4 disparos mirando a cabeça de Edgar, mas a arma estava descarregada)

EDGAR: 4 disparos, Jones? Na caminha cabeça?

(Bill acende um cigarro, dá um sorriso e bate no vidro para desligar as câmeras. As cortinas se fecham)

REPÓRTER: as autoridades responsáveis tomaram as devidas providências para que cada um pagasse por seus erros. O que vocês pensam sobre a humanidade agora? Somos bons? Merecemos alguma salvação? Esse foi o jornal da noite, tenham uma boa noite.

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