De todos os santos (nenhum me responde)

01nov13

Choveu tão forte naquela noite
que no outro dia cedinho a gente correu pela rua
pra recolher todas as estrelas que a força das águas tinha deixado.
O meu pai acendeu um charuto e disse que o fim estava chegando
que já tava escrito
quando Deus jogasse um chuva de estrelas
era sinal de que só os bons seriam salvos.

Rezamos baixinho enquanto guardávamos as estrelas em nossos bolsos
mas nossas preces se perdiam no ar
junto com a fumaça dos cigarros.
Paredes se ergueram ao redor de nossas casas
e nossa solidão estava decretada
pra ir além do fim da existência.
Então nos abraçamos e nos machucamos uma última vez
pra nunca mais esquecer como é ter alguém.

E quando tudo foi tomado pelo medo
eu senti paz.
Quando disseram que devíamos chorar
eu sorri.
Não foi por descaso.
A existência e a percepção nunca são de malgrado.
Eu apenas senti que se fosse pra viver em padrões
que não me serviam,
eu preferia fazer um brinde ao nosso fim.
E rir enquanto ainda existe tempo,
essa vida não basta.
E, agora, eu não quero ser salvo.

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One Response to “De todos os santos (nenhum me responde)”

  1. 1 Holly

    “Pra recolher todas as estrelas que a força das águas tinha deixado”, que bonito. *-*
    Só toma cuidado, pois a gente fala “pra” com naturalidade, mas “pra” na escrita, não pode. Tem que escrever “para”, é só um detalhezinho.


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