23jun13

– o silêncio absoluto tomava conta de nossas melhores palavras e ela só me olhava, enquanto tirava o cabelo da frente do rosto e colocava atrás da orelha. analisando friamente, seríamos primeiro absurdamente felizes e, incapazes de qualquer mal, tomaríamos a vida e tudo que nos restasse de uma vez só. depois sobraria o peso dos anos e nosso verbo favorito seria errar. acenderíamos um cigarro então e negaríamos todas as perguntas, se te dissessem, se me perguntassem, se escrevessem antes como seria. pra onde fomos, quem nos tornamos. e por tantas fugas e cortes e noites sem dormir ela me olha como que dizendo: e se existisse uma forma de nos envolver sem esperarmos tanto um do outro? mas não há. não há porque respiramos. falha tola. erro de fabricação. respirar é nosso maior erro. quem me dera ser pedra. mas sentimos. respiramos e sentimos. e acendemos outro cigarro e trocamos o disco. e mesmo que não falássemos. existe um universo paralelo e isso é científico. existe um universo pra tudo que a gente devia ter falado, mas deixamos aqui dentro. tão impensável quanto indizível. tão abstrato. levantar da cadeira e olhar pela janela. camadas escondidas. expectativas nunca alcançadas. palavras na cabeça e sentimentos que correm se esconder. sorrisos nunca mostrados, porque, agora parece uma péssima ideia. 

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