A PARTIDA em IV atos

21jun13

I
primeiro a compreensão.
colhem flores e colocam em nosso cabelo
dizem um oi tímido
e por consequência da solidão
curam a nossa carência com palavras de bons costumes.
na primeira noite é um beijo no rosto
um afago no cachorro.

II
na segunda noite já nos conhecem.
me coloca um apelido
diz que não vive mais sem mim.
depois dilaceram a minha confiança
mentem o próprio nome.
não escondem mais o rosto.
dão risadas do amor que confiei
como se fosse tão fácil 
não existe mais tempo
e já não posso dizer mais nada.

III
eu quebro todas as portas, eu me rasgo
eu arranho a minha garganta
eu defendo com todas as minhas forças
o direito de eu me sentir um lixo!
o direito de não ser nada pra ninguém.
pelo menos hoje
o direito de não ser ninguém.
solto tuas mãos
e me prendo nos dedos da solidão.

IV
a partida recolhe tua sombra
do cansaço de tuas pernas
dos abraços perdidos.
você já conhece muito bem
fazendo um brinde ao teu novo começo
dando risada de tua melhor platéia.
desse jogo que eu não sei jogar
de todas as batalhas que eu já perdi.
e você venceu.
apostando a minha calma.
foi brilhante, foi bonita
e eu engasgo ao dizer qualquer palavra de afeto.
das vezes que ninguém me ouviu chamar,
é como tentar segurar água com as mãos.
revivendo toda nossa despedida
eu não respiro mais o teu ar
mas me escondo com o pouco que sobrou do teu amor por mim.

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