Fala pra ela, por favor

22abr13

– Fala pra ela, por favor. Fala pra ela dessa dor. Não, pensando bem, é melhor não falar nada. Qualquer coisa que eu fale sempre parece ruim demais, ou errado demais. É, não fala, melhor. Deixa assim. O tempo passa né? As coisas mudam, a vida corre, outras primaveras vão chegar! É assim que os filmes ensinam. Fala pra ela daquele filme que eu vi ontem, aquele que eu te contei, que me lembra tanto ela! Fala pra ela que tem um final bonito e que ela vai adorar a trilha sonora, fala pra ela que eu tenho o livro do filme, se ela quiser ler depois. Que ele é tão poético que eu rezo pra viver mais umas 5 vidas só pra conseguir escrever alguma coisa assim. Pode falar isso pra ela também, por favor, e fala pra ela dessa dor. Fala que os domingos são uma droga. E que eu andei anotando um monte de coisas legais da  minha vida pra contar pra ela depois. E pode falar pra ela também que eu parei de escrever sobre ela, sabe? Aquele monte de texto que ela odiava e só servia pra deixar ela irritada. Fala que até tava pensando em parar com isso. Em virar alguém mais correto, sem tantos planos mirabolantes e sem tantos problemas na cabeça. Ou nem fala nada. Não sei, fico confuso. Acho melhor não falar mesmo. Ela nem vai querer saber, porque eu me perdi muito, sabe? Agora que eu to conseguindo juntar meus pedaços de volta. Acho que fiquei maluco um tempo, fala pra ela que não tem problema não, que no lugar dela eu estaria ainda mais longe agora. E nem pensaria em voltar. Mas ela é assim, fala pra ela que ela sempre foi bem melhor que do que eu, e que na verdade, eu sou uma péssima pessoa. E é por isso mesmo que agora eu preciso ir, fala pra ela. Eu sei que não é tão tarde assim, mas eu preciso mesmo ir. Eu vou perder minha carona, eu vou derrubar toda a bebida, eu vou machucar ela outra vez, fala pra ela, por favor. Fala pra ela dessa dor. E que agora tá passando mesmo da minha hora, pra ela não se importar. Fala pra ela que gosto pra cacete dela, e que isso é uma droga, que eu acho que ela me odiaria menos se eu pudesse saber como não gostar. Fala pra ela que eu fui embora depressa, porque eu não sabia mesmo o que falar. Ou não fala nada. Deixa que qualquer hora, eu espero ela vir me chamar.

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