palavras que se guardaram

27mar13

Eu não sei o que escrever. É bem assim que esse texto começa, na verdade, eu nem ia escrever nada, mas acabei de sair de um dos meus blog’s favoritos – o Vem cá Luísa –  e encontrei algo bonito sobre a gente só escrever quando não consegue falar mais nada. Logo, se a gente fala tudo, ficar sem ter o que escrever. E ainda tem uma frase bonita assim: ‘escrever é usar as palavras que se guardaram’.
Aí eu sentei aqui e achei que talvez fosse uma boa ideia escrever alguma coisa. Ainda mais porque eu não tenho dito mais nada, não por falta de vontade. É por não saber como dizer, é por todas as palavras ficarem presas na minha garganta. Mas juro que é estranho pra cacete, ter tanta coisa pra contar e não conseguir chamar seu nome. 
Acho que é mais fácil viver tendo você por perto pra ouvir tudo de sem graça que acontece na minha vida. E de tão linda que você é, ainda acha genial e me faz sorrir.
Acontece que antes de ontem eu baixei um filme – e isso é de verdade – ‘before sunrise’ e depois que eu baixo, eu tenho a mania de passar o filme bem rapidinho, pulando cenas, pra ver se a legenda tá ok. Então eu pulei pro fim do filme. E ela tá deitada no colo dele, e ele tá falando um poema pra ela. 
O poema é o W. H. Auden e eu não achei em lugar algum a tradução igual ao do filme. E eu gostei muito daquele jeito, então vou digitar aqui… 

‘todos os relógios da cidade
começam a sussurrar harmonicamente.
não deixe o tempo iludir você
você não pode dominar o tempo.
nas dores de cabeça e aborrecimentos
a vida escapa distraidamente
e o tempo terá seus caprichos..’

Então eu pensei: essa merda de filme tá me zuando, né?
Mas depois eu assisti e gostei muito, muito mesmo. E essa cena é genial. 
Aí no outro dia eu acordei às 8h com meu celular tocando, eu olhei, não sabia o número, virei pro lado e dormi mais um pouco. Acordei depois, lá pela terceira vez que estavam me ligando e pensei que talvez fosse uma boa atender, vai que é importante. Era uma moça, falando que eu tinha passado num concurso e que eu tinha um trabalho se quisesse. 
E isso eu coloquei naquelas coisas que acontecem comigo de forma aleatória – mais ou menos da mesma forma e com a mesma sorte de quando você me encontrou, talvez não houvesse chance alguma de isso acontecer, mas olha só, me faz sorrir pra cacete. 

Levantei então, ainda pensando no ‘before sunsire’ e na cena do poema. Resolvi que devia ver algum outro filme, pra me deixar mais animado. Coloquei o ‘Je t’aime, je t’aime’ e o próximo parágrafo é só sobre ele, porque cinema francês te dá forças pra seguir a vida, não importa o que aconteça:

– o filme começa com um cara – Claude – no hospital, ele tentou se matar e está quase recuperado. Nisso aparecem homens sérios e todo vestidos de preto conversando com o médico e falando que tem planos para o paciente, e assim que o Claude sai do hospital os homens vão conversar com ele e lhe oferecem um emprego. Ele não tem pra onde ir, perdeu tudo, então resolve aceitar.
Eles vão para um laboratório secreto aonde Claude descobre que fazem viagens no tempo e todos os testes com ratos foram bem sucedidos, e ele seria o primeiro homem a viajar. A ideia era apenas que ele ficasse alguns instantes no seu passado, 1 minuto apenas, 10 anos atrás e voltasse rapidamente. 
Mas as coisas dão errado e ele se perde no tempo, e revive todas as lembranças e vive de novo tudo que aconteceu entre ele e Catrine. Tudo que levou ele a tentar se matar e a talvez ter matado ela. 
Eu não sei dizer o quanto achei esse filme incrível, o quão triste e real me parece estar preso nas lembranças mais bonitas da nossa vida e saber que não é mais daquele jeito…

Então o filme acabou, e eu nem vou contar o final, porque, meu deus, você precisa assistir. 
E eu não sei o que mais falar, isso era pra ser como uma sms gigante, daquelas que eu mando às vezes te contando tudo que aconteceu no meu dia, ou te contando em detalhes os últimos 2 minutos e porque eles me lembraram tanto você. Agora eu já digitei tudo isso aqui sem nem pensar, só falando sobre o que eu tinha vontade. E é uma daquelas coisas que eu nem vou ler, porque vou me achar imbecil pra cacete logo depois, mas vou deixar, porque talvez você ainda passe por aqui, acho que pra ver se não tô fazendo mais nenhuma bobagem. Ou pra pensar e confirmar: ok, ele é mesmo um idiota.
Eu sou. De verdade.
E agora eu lembrei absurdamente do final do ‘Gigantesco’ que eu nunca achei nenhum link pra baixar, se não eu já teria te mandado. Mas tem a Zooey  – e eu sou ela. E tem o Paul Dano – você é ele. E eu fiz tudo absurdamente errado, inventei algo sobre viajar pra França porque eu tinha medo de dizer na verdade que eu te amava. 
Aí eu tô conversando com sua mãe – que eu já imaginei alguém que pode ser, mas não acho que quero falar – e digo o quanto eu tenho medo de ter estragado tudo e quanto eu morro de medo que não tenha conserto. E ela diz que não há nada que não se possa consertar.

E agora eu fecho os olhos e repito isso pra mim uma mil vezes, torcendo pra que vire verdade. Como uma oração.

Pra Woody Allen.
Porque, não sei se já te disse, mas ele é Deus.
Nunca tive dúvida alguma disso.
E falando sério agora, às vezes falo com ele, com woody allen, ou deus, ou sei lá como você quiser chamar. Acho que ele não liga muito, ou, pelo menos não ligava a última vez que eu perguntei. A gente conversou bastante essa noite e quase fizemos aquela cena do ‘Todo Poderoso’ aonde o Morgan Freeman pede pro Jim Carrey orar. E pedir por tudo aquilo que realmente importa pra ele. Ontem eu não soube o que pedir. Não que eu não soubesse o que eu queria, eu só tive medo de estar errado.
Mas agora de pouco eu tava na rua, e olhei pra lua, toda bonita. E não tive mais dúvida alguma. Sabe, isso é sobre tudo que a gente possa imaginar. 
Então o Woody Allen me ouviu mais um pouquinho, mas foi bem rápido, acho que ele já sabe bastante sobre seu nome. Mas tenho certeza que dessa vez ele vai me atender, porque foi sobre tudo que realmente importa, olha Woody Allen, por favor, cuide bem dela e de todos que forem dela. Faça ela realmente feliz. Mesmo que eu fique um pouquinho de fora, faça dela a garota mais feliz do mundo! 
E depois eu ouvi uma clarineta, acho que isso é um sinal positivo. Porque ele só toca quando tá feliz.

E agora chega o fim. 
Vou terminar de escrever um poema que tá morando na minha cabeça, vou sentar um pouco perto da lua. Vou mentir mais um pouquinho e dizer que tá ok, nem gosto mesmo de você. Qualquer coisa assim. Só pra confundir um pouco e assistir o tempo passar.

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