as luzes e os meninos (e o seu sorriso)

11dez12

…afinal, era dezembro. E isso, ele já sabia, não era sinônimo de bom presságio. Poetas que se danem, a troca de ano só faz a gente se fuder mais um pouco. Mas era dezembro e ele não podia discordar que de pedacinho em pedacinho, a vida ficava mais bonita. E foi pensando assim, que ele levantou naquele dia. Se espreguiçou um pouco e deixou o dia fazer seus planos, sabe como é, se a gente acorda muito rápido, não dá tempo da vida se ajeitar. Então uns 5 minutos na cama faz as coisas entrarem nos eixos.
Tomou um café, acendeu um cigarro, era dezembro. Era outra cidade. As ruas já estavam com aquele ar irritante de felicidade passageira, porque dezembro todo mundo sorri sem saber porque está sorrindo, então não me levem a mal, mas a única coisa sincera são as luzes. As luzes e os meninos.
Ele andou pela calçada, enquanto os meninos corriam em volta, aproveitando o sol que brigava com a nuvens pra mostrar quem é mais forte. Uma bola de futebol rolou em sua direção e ele sorriu ao ouvir ‘obrigado moço’ quando rolou a bola de volta.
Outro cigarro, era fácil estar por aqui, sentindo esse vento no rosto. O barulho dos carros a cidade que não dorme. Lembrou do dia anterior, quando estava no mercado, carregando a cara de sono mais esquisita deste lado do planeta. Quando pegou os pacotes de macarrão instantâneo. Quando ela apareceu, lá de longe e ele teve vontade de se esconder, mas ficou ali, vendo tanta gente passar e reparando como ela realmente é diferente na multidão. 
Que entre todos os sorrisos do mundo, sempre escolheria o dela. Sempre escolheria o jeito como ela o olha, como ela diz oi, quase sem abrir os lábios, mas dando motivos o bastante pra ele sorrir por mais umas 30 vidas.
Era dezembro e os caixas estavam lotados. Então ele só viu ela indo embora, dando uma última olhadinha pra ela e se misturando com as luzes, com as cores.
Acendeu outro cigarro, lembrou de outros natais, de todos os outros dias que tava fazendo um esforço pra não lembrar. Ou pelo menos reescrever na cabeça, para ter um final menos traumático. Dezembro não era mesmo sinônimo de bom presságio. Ele não tinha mais aquela coleção de boas esperanças, mas, talvez, só dessa vez fosse diferente. E pensou em cantar alguma música, enquanto andava pelo meio-fio, se equilibrando na corda bamba como se sua vida dependesse disso! E talvez dependesse mesmo, de simplesmente se equilibrar agora, até no fim, só pra ter aquele sorriso mais algumas vezes e, quem sabe, se tiver sorte, conseguir ter aquele sorriso, pelo resto da vida! Meu deus, olhando daqui isso parece sonho demais. Mas, e se só dessa vez sonhar for permitido? Juro, ela não parava mesmo de olhar e somos tão bons em acreditar em amores impossíveis. Ele sorria e pensava no quanto ela estava linda de vestido e achou que podia se animar um pouco afinal, era dezembro.

Anúncios


No Responses Yet to “as luzes e os meninos (e o seu sorriso)”

  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: