Abandono

11jul12

Eu te trouxe o natal e você me deixou sem presentes. Agora parto em outra direção. Nosso amor nunca passou de uma linha de pipa, que tomava o ar e sentia o vento no rosto. Até arrebentar.
Arrebentou. 

Agora eu sou o menino. Que fica embaixo, olhando pro alto e vendo o sol levar embora aquilo que era só meu. E vai voar, vai pra longe. Até parar nas mãos de algum outro garoto. Ou até se quebrar. Se rasgar. E nunca mais sair do chão.  
É mais ou menos assim.
Eu te trouxe um mundo todo e você me deixou sem caminho.
Acho que não servia, que não era importante. Que era melhor deixar pra outro dia. 

Mas a presença de alguém não é uma coisa que a gente deve pedir. Ou a pessoa está aqui por querer estar, ou é melhor não. Porque o ‘estar’ sem querer de verdade, resulta num bocado de corações partidos.

E corações são tão frágeis quanto vidro. E a nossa brincadeira favorita é aquela de atirar pedras uns nos outros.

Não te escrevo em forma de maldade.
Nem devolvendo as pedras. Escrevo contando os dias que passam na parede da sala.
Como um rabisco. 

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2 Responses to “Abandono”

  1. Deus, que perfeito… Parece até que leu a minha alma num espelho.
    “Mas a presença de alguém não é uma coisa que a gente deve pedir.”

  2. Pois é,,, E a gente vive pedindo
    Não sou uma pessoa com pedras na mão e nem um cara com linha
    Mas sozinho vou nas mãos de quem me quer, me tem!!!


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