Quando a gente tem sorte

12jun12

oi, eu sou o Dan. E hoje é o dia dos namorados. Eu fiz uma história, um texto, uma crônica. Sei lá o que é isso. Mas, eu fiz. E, espero que gostem e entendam o que eu quis dizer.

Meu avô tinha os olhos azuis mais lindos do mundo. E esses olhos, que me fitavam tão amorosamente, agora choravam lágrimas bonitas que se confundiam com a sua barba e o seu sorriso. Ele sempre dizia que eu era sua neta favorita. Na verdade acho que ele diz isso pra todas nós. Mas eu sou a mais nova e sei que ele gosta de sempre me ter um pouquinho mais por perto.
Já era quase meio de junho, e todos as minhas tardes choviam como se eu tivesse colocado minha cabeça toda debaixo de uma torneira.  Na verdade, a chuva nem me incomodava tanto, quer dizer, não a chuva da rua, mas dentro de mim tava uma tempestade horrível. Daqui a pouco apareceria no noticiário o número de vítimas que existiam dentro de mim. 
Por isso eu resolvi sentar aquela tarde e pedi: vô, me conta como você conheceu a vovó.

Os olhinhos dele brilharam, ele olhou pro retrato bonito dela que ficava pendurado na parede mais bonita e começou a me contar:

– Sua avó era a minha melhor amiga! Desde menino, quando eu andava de bicicleta pelas ruas de terra e vivia com os joelhos ralados. Lembro até quando a conheci. Ela me odiava no começo, porque na verdade, eu gostava da melhor amiguinha dela. E ela me achava um menino idiota e fedido. E vou te contar, minha neta: ela tinha toda razão! 
Numa manhãzinha de domingo a gente tava saindo da igreja e eu lembro que ela sempre ia com um vestido azul, e com os cabelos presos que caíam enrolados no ombro. Chovia muito naquele dia e eu tinha ido sozinho pra igreja porque meu pai tava passando mal de tanto ter bebido no dia anterior. Meu pai não era uma pessoa ruim, acho que ele só fazia as coisas erradas. Enquanto eu esperava a chuva passar a mãe dela apareceu e perguntou se eu não queria ir embora com elas, no mesmo guarda-chuva. Ela insistiu tanto que eu aceitei, elas chegaram super molhadas na casa delas e eu também. Mas acho que aquele foi o dia mais importante da minha vida!
Porque daquele dia em diante a gente nunca mais se separou. Ela sabia todos os meu segredos, todas as meninas que eu gostava. E ela odiava todas elas! E lógico, eu sempre arrumava briga com os pretendentes dela. Até que um dia a gente percebeu que não tinha mais como evitar…

– Vovô, vocês nunca brigaram?

– Claro que sim minha neta, mas a gente pode até começar a odiar um pouco mais, mas a gente nunca deixar de amar. Ela me mandava embora toda semana e dizia que nunca mais queria me ver! Mas eu não era fácil, eu dormia embaixo da janela do quarto dela. E esperava ela acordar, com um buquet de rosas. Anos depois, quando eu já não tinha mais idade pra ser mandado embora e quem me dera deitar debaixo da janela dela, ela me disse que nunca tinha gostado de rosas. Que na verdade, só sentia minha falta. Toda vez que me mandava embora, ela sentia minha falta.

Ela sempre foi minha melhor amiga, essas são as melhores pessoas do mundo pra a gente casar. Porque a gente não precisa mentir. Sabe, só ser a gente já basta. Que ela entende. Que ela vai te amar, como ela me amava. Como ela me amou todos os dias. Como ela fazia todos os dias meu café e deixava em cima da mesa junto com 4 bolachinhas de água e sal. Como ela arrumava a gola da minha roupa sempre que a gente saia e ria, dizendo que precisava arrumar um amigo que se vestisse melhor…

E agora meu avô me olhava. As lágrimas se perdiam na barba branca. E eu percebi o quanto a vovó devia ser uma mulher incrível, e mais ainda, a melhor amiga de um homem incrível. Então eu resolvi que devia falar:

– Vovô, eu gosto também do meu melhor amigo…

– Que bom minha neta, ele sabe?

– Sabe, mas a gente brigou… E, na verdade, não é meu melhor amigo.

– Como assim minha neta?

– Vovô, eu gosto da minha melhor amiga. E ela gosta de mim, ela é minha namorada. Mas, a gente brigou…

E nessa hora eu fiquei quieta. Eu não sabia ser se era informação de mais pra cabeça do vovô. Acho que eu devo falar que é mentira, mas, meu deus, eu precisava falar pra alguém. Ok, mas talvez não pro vovô. Ele ainda tava quieto, só me olhava, não dizia nada. Nada. Droga. Mas eu também não consegui deixar de pensar em você. Linda.  Minha, só minha. Minha garota. Que eu não gosto de dividir com ninguém, como se você fosse minha constelação. Só que mais linda que todas as estrelas juntas…

– Minha neta… 

Eu olhei de novo pro vovô. Ele sorria.

– Minha neta, fala com ela. O amor é o que importa minha neta. No meu tempo não tinha essas coisas e você assustou seu avô, ele é só um velho… Me desculpa por demorar pra responder, mas agora, eu aposto que ela deve ser uma garota de sorte. E que deve gostar muito de estar com você. Fico feliz que ela seja sua melhor amiga… Ela vai entender tudo que você disser, tenho certeza! Fala com ela minha neta, fala com ela…

É isso.
Na verdade, eu acho bobagem ter o dia dos namorados. Acho que devia ser o dia do amor.
Me parece mais justo. Mais sincero.
Acho que as pessoas que eu amo me fazem feliz, mais do que boa parte das garotas que já tive por aí…

E, às vezes, se a gente der sorte, a pessoa que a gente mais ama, é a mesma pessoa que mais nos faz feliz. 
Mas isso é outra história, e a gente precisa mesmo ter um monte de sorte pra esse tipo de coisa. 
Por hora só desejo que vocês sejam felizes.
E encontrem alguém pra amar. De todo coração. 

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One Response to “Quando a gente tem sorte”

  1. 1 gábi

    to me sentindo melhor agora.


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