Da espera

04maio12

eu fiz uma coleção
de palavras bonitas
pra qualquer hora você ver.
escrevi todas
em guardanapos de papel.
enquanto jogava conversa fora
em qualquer ponto
dessa cidade
cheia de abraços vazios.
todo mundo tem
uma história pra contar.
e sempre é sobre alguém
um romance
impossível
uma serenata na noite
e dois vagabundos
apostando que é possível
viver só de amor.

minha mãe dizia que
tanto amor assim
era moda em 86.

e que a gente tudo
nasceu na época errada.
parece que perdemos
os melhores poemas
as grandes sinfonias
e que nunca mais, ninguém
vai saber cantar ‘all you need is love’.
porque isso
também acabou.
e todos os nossos
romances são como discos
e eu estou a duas músicas
de pensar que tudo
isso é uma péssima ideia.

hoje fui ver uma casa nova.
nossos planos
corriam pelo jardim
como se fossem borboletas
bêbadas de amor.
uma árvore, um balanço.
o fusca azul, Bukowski jogado
no banco de trás
tentava me explicar o que raios
era a vida
e porque eu não devia deixar
você ir embora.

e eu já sei
de tudo isso que ele fala
e por isso que eu guardei
as palavras mais bonitas
que eu conhecia.
pra não esquecer do
seu rosto, da sua voz
cansada.
da nossa bagunça
que parecia tão organizada
já que tudo parecia estar
exatamente aonde devia estar.

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