Uma parte grande demais

18jan12

Eu tenho medo que toda vez que eu acorde seja tarde demais.
Tarde pra viver, pra amar, pra ser eu mesmo.
Então todo dia meu relógio me levanta cedo.
Daí eu tenho tempo de arrumar minhas coisas,
limpar minha bagunça,
escrever o que eu quiser
e deixar o resto do dia correr devagar,
como se estivesse num balanço,
sentindo o vento beijando o rosto
e fazendo juras de amor no seu ouvido.

Uma vez eu escrevi uma história de amor
– porque quando a gente não tem, a gente inventa –
e não tinha fim.
Porque acho que as histórias de amor não devem ter fim,
a não ser que seja bonito,
acho que todo final deve ser bonito.
Mesmo que seja triste.

Porque ontem eu acordei tarde,
e pra compensar, hoje eu nem consegui dormir.
Acho que fiquei pensando
e quando a gente pensa, a gente só se fode.
Eu tenho medo de um bucado de coisa,
mas o pior mesmo é o medo do que vai ser,
do que está por vir,
sabe, quando eu estiver longe – se eu for pra longe.
Tenho medo do que eu vou deixar pra trás.

Porque o que a gente deixa pra trás, mesmo sem querer,
sempre acaba levando uma parte da gente.
Uma parte grande demais.
E acho que a gente nunca mais consegue suprir,
aquilo que chama saudade.

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One Response to “Uma parte grande demais”

  1. Porque quando a gente não tem, a gente inventa.

    É, mas “preencher vazio com mais vazio, não faz de ninguém completo”


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