MELANCHOLIA

09jan12

Faz tempo que eu não sento por aqui pra falar exclusivamente de algum filme, ou de alguma coisa que eu tenha gostado muito.

Mas amigos, estamos falando do filme do Lars Von Trier – que abalou um poucos as coisas no festival de Cannes no ano passado ao dizer uma coisas meio loucas, tipo que entendia Hitler e coisas assim.

Por causa  disso, o filme não teve todo o destaque que merecia pra essa temporada de premiações e muito provavelmente vai ficar fora do Oscar. Já que seria feio o cara que foi banido de Cannes levar um Oscar de melhor filme e melhor diretor pra casa.

– Na verdade, eu acho que o Lars só disse essas coisas porque estava entediado. Fazia tempo que ele não arrumava uma boa briga e nada mais cativante do que ser barrado na porta do festival, enquanto a Kirsten Dunst ganha um prêmio de melhor atriz pelo filme…

 

Voltando.
“Melancholia” não é um filme fácil.
Há tempos eu estava me preparando pra assistir e até combinei com a Dany B. para darmos play ao mesmo tempo.  E trocarmos por sms as impressões que o filme passava.

Mas, já começo com um conselho: esqueça aquele história de Cannes ali em cima e se deixe fazer parte…
Fui surpreendido logo no começo, pois a abertura de 8 minutos é de deixar qualquer um deslumbrado e são tantas imagens e tantas coisas, que eu vi de novo  antes de começar a escrever esse post. E deixa eu contar, é um espetáculo! A destruição da Terra em câmera lenta enche os olhos e você tem vontade de pegar todas as imagens e colocar em sua parede.

Toda a primeira parte de Melancholia, intitulada ‘Justine’, se resume à festa de casamento da protagonista. Guardadas as devidas proporções, há muito daquele clima de família problemática reunida, discursos desconcertantes e situações embaraçosas. Em um tom realista, Lars percorre a festa desnudando seus personagens. Aqui, o foco é Justine e seus problemas pessoais. A relação doentia entre Justine e sua mãe, vivida por Charlotte Rampling e a veneração pelo pai, vivido por John Hurt.

Tudo corre bem no começo, entre formalidades e sorrisos, até na hora dos discursos quando os pais da noiva começam a brigar e a mãe diz aos noivos “aproveitem enquanto dura”.

Dessa cena em diante, o olhar vazio da noiva faz sombra em todas as cenas. A felicidade presente no casamento vira esboço pra um sorriso forçado e é impossível não notar que aos poucos a depressão vai tomando todas as forças e virando um personagem.

O casamento foi todo organizado pela irmã da Justine, Claire (Charlotte Gainsbourg – que já ganhou um prêmio em Cannes também, pelo outro filme do Lars, “Anticristo”). E ela se sente responsável por tudo que venha a acontecer, mas mesmo assim ela pede pra irmã não fazer nada de errado.

A segunda parte se chama “Claire” e com ela o filme começa a tomar forma (e ficar angustiante e meio desesperador), pois somos apresentados ao chamado ‘Melancholia’, um planeta que segundos os cientistas vai passar ao lado da Terra sem riscos de nos atingir.
É legal perceber que as personalidades das irmãs estão sempre de opondo. No começo Justine era mais sonhadora e Claire era prática, aos poucos Justine fica depressiva a irmã se torna protetora e quando o Melancholia se aproxima, Justine se torna mais calma e Claire se desespera.

A atuação de Kirsten Dunst é simplesmente incrível!  Desde sorrisos e olhares vazios até o silêncio. E todas as cenas em que ela está sozinha e sai pra andar, são um espetáculo a parte.

Lars mais uma vez acertou. Com um filme de fotografia impecável , o fim do mundo nunca esteve tão bonito. E com certeza, cada pessoa que assistir vai entender de uma forma, mas é assim.
Tão cheio de símbolos, cada um vê da forma que consegue. Eu ainda entendo Lars Von Trier como um diretor que busca a construção de sentimentos básicos – Foi assim com ‘Dogville’ e a (des)construção da violência.

Em pouco mais de 2 horas você se encontra perdido e as cenas ainda passam na sua cabeça. Talvez ‘Melancholia’ seja um símbolo e todo aquele planeta vindo em nossa direção não seja nada mais do que nós mesmos… Mas, sei lá…

Vai entender o Lars…

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