Eu não pensei em título, eu não pensei em nada. Só me encontrei a tempo demais no mesmo lugar e nem lembro mais à quanto me deixei aqui. Talvez seja uma forma de eu não me permitir afundar. Me tornando um náufrago de mim.

12set11

(21:02)
Nesse sábado, conversando com uma amiga das antigas – ela é da época do teatro, das tardes lendo harry potter – nos encontramos falando sobre redações de vestibular.
Super assunto pra se tratar no centro de sábado a noite.

Mas a vida é, como ela é.

Eis que ela diz que a melhor redação dela foi uma em que o tema era ‘o que você vê quando se olha no espelho?’ Na hora eu soltei um categórico ‘putaqueopariu’! Realmente, era um grande tema. Porra.

Mas eu não podia reclamar, já que quando eu passei pra segunda fase da unesp, o tema era ‘felicidade’. – Mas esse não é o assunto de agora.

O importante que isso ficou na minha cabeça.

E agora eu vou tomar banho e vou me encarar no espelho e escrever a primeira merda que eu pensar. Já volto.

(21:26)
Eu vi meu rosto.
Magro.
O mesmo sorriso, os mesmo cabelos.
E meus olhos, que minha mãe sempre diz que são diferentes. Tipo, castanhos, mais é um castanho bem clarinho e que assim eram os olhos de minha vó.
Eu sorrio e o reflexo responde.
Menos os olhos.

Uma verdade sobre os olhos: eles não mentem.

Então todas as outras marcas, que antes eram conhecidíssimas, se tornam confusas, como uma lembrança vaga do que eu era. E agora só fui reduzido ao esboço do que já esteve aqui.
Eu sou o esboço de ontem.

Com novas facetas e novos trejeitos. Pra te conquistar e logo depois, te fazer me odiar.

Então o rosto pergunta: quem é você?
Parece uma gravação de rádio mal sintonizado. Como se minha voz também fosse um eco, de algum barulho que você já ouviu já faz algum tempo e agora só percorre sua lembrança de noite, pra você sorrir e logo depois esquecer.

A voz continua e diz: eu sou você, amanhã e ontem.
Grande merda de voz. Agora começa a repetir Oswaldo Montenegro pra tentar me impressionar. Mas ela não desisti. Aqueles olhos me encaram.

Aquele rosto no espelho me encara. E logo depois pergunta: o que você tá fazendo?

E eu penso em mentir.
Mas é só um espelho. E a gente não mente pro espelho.

E pela primeira eu admito: não sei.

Não sei o que eu estou fazendo. Não sei aonde quero chegar. Não sei qual é o meu lugar. Não sei o que escrever. Não sei pra quem correr. Não sei quem eu sou. Eu não sei. É. É sério. Eu não sei. E isso é desesperador!

Eu só sei que aquele rosto no espelho sorri.
Mas que os olhos dele não mentem.

Então eu apaguei a luz.
Saí do banheiro.
E sentei aqui na frente do computador.

Agora são 21:39.
E dá próxima vez vou brincar de Bloody Mary pra ver se aparece alguém que coloque de volta um certo sentido nas coisas.
Ou, que pelo menos me ajude a me encontrar.

 

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One Response to “Eu não pensei em título, eu não pensei em nada. Só me encontrei a tempo demais no mesmo lugar e nem lembro mais à quanto me deixei aqui. Talvez seja uma forma de eu não me permitir afundar. Me tornando um náufrago de mim.”

  1. Tá tudo bem, eu sei o que eu quero
    mas como fazer??
    Não adianta saber
    Triste sou eu de sempre ficar rodando e não encontrar alguém sonhador
    Porra de vida que as vezes deixa só rascunhos do que queremos pra nos


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