E tem meu coração, que me chama de puta toda vez que eu beijo alguém que não é você

04jul11

O céu estava absolutamente cinza. Na verdade, tudo isso fode um pouco com a cabeça. E com o coração. Claro, se você perguntar, eu vou dizer que não é nada demais, você só é o cara da minha vida e eu te mandei embora. Toda garota faz isso.
Garota. É assim que me sinto agora, entre os lençóis, com cabeça jogada no fundo do travesseiro. Aquela imagem de mulher que um dia vai ter tudo na vida eu deixei lá fora, visto depois com minha roupa. Agora eu preciso de chocolate, de um filme do Leonardo Di Caprio, preciso achar minha camiseta do U2, preciso jogar umas coisas fora, preciso jogar suas coisas fora, preciso conseguir dormir e preciso de você.

Na verdade mesmo, eu sou uma droga. Minha mãe dizia: filha se continuar assim, vai ser sempre sozinha! Eu dizia que não ligava. E nunca liguei, até te conhecer. Você nem fazia o meu tipo! Minhas amigas falavam que você devia ser gay – e eu só pensava como você era bonito. Eu devia ter ouvido, que merda! Você não fazia mesmo o meu tipo. Quer dizer, que merda é essa de cara que tem como filme favorito Amélie Poulain. Que porra, quem é Amélie Poulain? Você falava tanto e eu nunca conseguia entender, só ficava que nem boba, de boca aberta. Admirando o jeito que você passava a mão no cabelo pra deixar milimétricamente bagunçado. Porque com você eu acho que sempre foi assim, você sempre planejava e sabia de tudo, até aquilo que era sem querer. Principalmente de mim. Você sabia como me beijar e me deixava arrepiada. Eu tinha tanto medo que ficava maluca! Mas você já sabia disso também.

Eu comecei avaliar as coisas. Sabe, medir. Coisa boa com coisa boa e coisa ruim com coisa ruim. Minha conclusão? Eu não soube colocar um dia com você em coisas ruins! Então eu inventei! Joguei suas manias, joguei sua lista de telefone que só tinha garotas, joguei as músicas feias que você mandava e, por via dúvidas, joguei também o jeito de você falar que gostava de mim. Você era tão infantil!
Você era ridicularmente infantil! Era tão infantil, que eu tinha vontade de te abraçar e proteger. Que eu cuidava tanto de você, na esperança boba e infantil, que você nunca soltasse minha mão.

Isso tava ficando tão confuso e você parecia não se importar.

Eu me sentia melhor quando te contava meu dia. Eu conhecia pessoas na rua pra te contar como elas eram quando eu chegasse em casa. Agora não preciso mais conhecer ninguém, no fundo, eu acho que eu te via um pouco em cada uma delas.
Acho que tudo isso já ia acabar mal de qualquer forma. Eu sempre fui o tipo de garota que estraga com as coisas. Tá no meu signo. Não que eu acredite. Mas quando o santo não ajuda, a gente se agarra em qualquer coisa. Fui na cartomante, no pai de santo, passei na igreja, fui no baile funk, li meu horóscopo, meu signo chinês, vi o significado de minha arma árabe, li minha sorte em folha de chá, fiz meditação, budismo, centro espirita, fui pescar com meu pai e aprendi a costurar.

É só que um dia eu li que a gente descobre quando alguém é pra sempre. E se eu tô chorando agora, não quer dizer que você era o meu pra sempre? Só meu. Não te divido, não te empresto. Sou completamente ciúmenta e egoísta. Quero que você seja tão meu! E não quero ser de mais ninguém, gosto de ser sua. Gosto do seu sabor. Do seu cheiro em minhas roupas. Da minha casa – e da minha vida – com sua bagunça. Gosto da sua voz no telefone, da sua voz no meu ouvido. Gosto da sua letra rabiscada em algum bilhete  me dizendo bom dia. Me dizendo que me odeia. Me dizendo que só ficou porque sabe que eu não viveria sem você. E quer saber? Viver agora é remar. Num barco pequeno. Sem poesia, sem música, sem amor, sem você.

Agora eu me vejo parada no mesmo lugar, enquanto você segue em frente. Como você sempre fez tão bem. Sempre admirei isso. Você para, chora, ri e segue em frente. Você sempre sorri. Você é tão bonito!
Segue em frente garoto. E me leva com você, se puder. Se eu não for um peso na mala. Eu sei das coisas que eu disse. Mas agora eu vejo tudo, e tudo, na verdade, sempre foi por eu te odiar tanto, mas tanto, que eu te amo. Como eu nunca achei que amaria.

com amor.

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5 Responses to “E tem meu coração, que me chama de puta toda vez que eu beijo alguém que não é você”

  1. 1 anaspera

    Hoje é dia 4. Todo dia quatro me lembra vocês.
    Fá e depois Sol na minha mente.

  2. 2 soalgumasletras

    ” Aquela imagem de mulher que um dia vai ter tudo na vida eu deixei lá fora, visto depois com minha roupa.”
    Tão .. tão (:

  3. suas palavras… ahhh seu dom… sua poesia!

  4. 4 laira bueno

    A que lindo! *-*


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