Me abraça e diz, diz o que quiser.

08jun11

A gente se acostuma. E aprende a curtir.
E isso nem é sobre coisas boas.
Conheço pessoas que tem uma felicidade, um dom absurdo pra conseguir curtir uma bela de uma depressão e daí consegue fazer todo aquele texto, toda aquela coisa de ‘bah, o meu mundo é uma droga! A vida é tão dificil!’ e se tranca no quarto e vive aquele momento de tristeza como se fosse uma religião.

Aprendi uma vez que se a gente decidi ser feliz, sabe, se a gente quer mesmo ser feliz. A gente acaba sendo. Se um dia a gente acorda e diz: ok, vida vadia, daqui pra frente nada vai me tornar triste. A gente acaba conseguindo isso.

É como eu não me canso de contar sobre o Elizabethtown. Ela escreve pra ele: você tem 5 minutos de tristeza profunda. Aproveite e descarte.

Sabe, curtir a solidão é bonito. Você escreve coisas legais, você ouve aquelas músicas e deita na cama e começa a lembrar e você sabe que tem o direito de brigar com o mundo, porque no momento ele não foi gentil com você.
Mas, cara, abre a janela porra.

Eu não sou ninguém pra falar, mas o sol é lindo. E existe amor e amor é Roma ao contrário (né!) e, sei lá, nem eu sei sobre o que eu to falando mais. Só sei que acordei hoje e o tempo pedia mais pressa da minha parte, falou que já tava cansado de me esperar. Como se eu fosse um atraso.
Eu respondi que não ia mais correr, que ele podia passar e eu ia sentar na janela enquanto os fones de ouvido me falam coisas legais.

Que eu gosto desse momento inconstante de paz. Que agora eu estou tranquilo mas daqui a pouco você passa e quando eu vejo já pulei pela janela e tô correndo pra te alcançar.
E eu nem quero saber do tempo. As coisas se acertam. É sobre isso esse post.
Deixa estar.

“Nunca gostei muito de despertar. Nunca fui de pular da cama e saudar o dia sorrindo, como Jim. Às vezes, pela manhã, eu queria socá-lo por ficar tão feliz. Sempre dizia a ele que só os tolos saudam o dia com um sorriso, que só os tolos podem escapar da verdade simples. Que agora não é tão simples.
(…)
De manhã, levo tempo para me tornar George. Para me ajustar ao que esperam de George e como me comportar. Quando termino de me vestir e coloco a última camada de brilho no George de agora, levemente austero e quase perfeito, sei exatamente o que devo interpretar. Olho no espelho que me devolve o olhar, não de um rosto, mas da expressão de um dilema. Vamos lá enfrentar o maldito dia. Um pouco melodramático, eu acho. Cada dia passa como uma névoa. Mas hoje, decidi que ia ser diferente”.

(A Single Man)

“- Sabe o que eu acho? (…) Acho que as mulheres que não amamos mais e que revemos depois de anos, entre elas e nós há um abismo. É como se não fossem deste mundo, pois nosso amor não existe mais.
– Quer dizer que eu morri?
– Não. Penso apenas em todas as coisas que me torturavam e que hoje não me interessam.
– Por exemplo?
– A noite em que a vi no Champs-Elysées com um jovem. (…) Se soubesse como me senti infeliz! Eu me dizia: “Acabou! Nunca mais eu a verei.”
– Acho que me lembro.
– Não tente lembrar-se. Não vale mais a pena. Isso que é terrível. É que a tristeza que pode até matar não deixa nenhum vestígio.”

(Le temps retrouvé)

– E quando você não está trabalhando, nem lendo, o que você faz?
– Eu me apaixono por moças curiosas.

– Você é exagerado, pai.
– O amor tem quatro patas.

– Amar não é querer o bem do outro?
– Não, isso é uma bobagem que eu dizia quando eu era feliz. Amar é uma selvageria.

– É isso que você quer?
– Eu quero que você queira voltar para mim agora.

(Separações)

“(Dia 154)
– Estou apaixonado pela Summer. Amo o seu sorriso, seu cabelo, seus joelhos, a marquinha de nascença de coração que ela tem no pescoço, amo como ela lambe os lábios às vezes antes de falar, o som da risada dela, o jeito que fica quando está dormindo. Amo quando ouço uma música sempre que penso nela. Amo como ela me faz sentir. Como se tudo fosse possível, tipo… como se a vida valesse a pena. (Tom)
– Isso não é bom. (Paul)
***
(Dia 322)
– Eu odeio a Summer. Odeio seu dente torto, seu cabelo estilo 1960, odeio seu joelho nodoso, odeio sua manchinha que parece uma barata no seu pescoço, odeio como umedece os lábios antes de falar, odeio o som de sua risada…”.

(500 days of Summer)

“Macabéa, você é como um fio de cabelo na sopa, não dá vontade de comer”.

(A Hora da Estrela)

” – Desde que te conheci, nunca fui tão infeliz na minha vida.
– Nem eu.
– Eu não trocaria isso por nada.
– Nem eu”.

(From Here to Eternity)

“- Uma vez que, alegadamente, não tem religião o que imagina estar fazendo na Terra?
– Vivendo a minha vida, como você.
– Mas sem fé, quais as suas intenções?
– Quero olhar pra trás e dizer que eu estive vivo. Que não virei as costas. Que tentei. Que fui feliz”.

( Brideshead revisited)

“- Por que você foi embora?
– Porque você disse “então vá” com tanto desdém…”

(Eternal sunshine of the spotless mind)


aah, ‘Encontros e Desencontros’. Todas as imagens são desse filme.
Ele entrou na minha lista de filmes mais lindos da minha vida.

Digam (ou não) o que acharam.
E sejam felizes.

força!

“Quanto mais você sabe quem é, e o que você quer, menos você deixa as coisas te irritarem.”
(lost in traslantion) 

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3 Responses to “Me abraça e diz, diz o que quiser.”

  1. 1 Bih

    O texto no início me fez lembrar Beatles.
    Let it be, let it be ♪

  2. 2 soalgumasletras

    Gosto dos teus posts assim ><
    é não a cordo feliz de manhã haha'
    Ta ótimo, como sempre.

  3. A maioria dizem “Me apaixono por garotas curiosas, então vire-se, desça a causinha e deixo enfiar em você”, mas isso é coisa taxista.
    Sei lá Dan, eu gosto do jeito que escreve, da impressão que você escreve sempre para a mesma pessoa, tipo encontro marcado.
    Adoro escutar musicas tristes e lembrar como é a solidão


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