Balada do pseudo-príncipe que recitava poemas de amor antes do relógio cantar a décima segunda batida

05abr11

Quando eu abri essa página pra começar a escrever, a janela do msn da minha prima piscou e ela dizia a coisa mais inteligente da minha noite: O AMOR É UMA DROGA. E então eu fiquei um tempinho olhando aquilo ali escrito e pensei que talvez não exista nenhuma frase que faça tanto sentido no mundo, quanto essa.
Eu penso sobre tudo, reflito sobre todos os deslizes, lembro das músicas e daí fico confuso de novo. E todo esse turbilhão de coisas se misturam e se chocam, me colocam numa encruzilhada e quando eu vejo já to ali sentado faz mais de meses, ou talvez sejam anos e, por um lado a placa diz ‘amor’ e do outro só está escrito ‘ou não’.
Então a gente faz assim, fecha os olhos, aponta o dedo e começa a recitar: a minha mãe mandou eu escolher esse daqui (dá uma espiada, ‘amor’, continua) mas como eu sou teimoso vou escolher esse daqui (‘amor’, tudo bem, vai) unidunitê o escolhido foi você (‘amor’ – porra) abacaxi não faz xixi na cabeça do saci… AMOR.
Então, caminho escolhido. Mas, não tem dessa de ser sem querer. Sabe, a gente faz nossa própria sorte e se a vida é um jogo de cartas, o amor sempre vai ser os melhores naipes e acredite, você precisa deles, se quiser ganhar.

Mas, deixa eu esquecer disso por um momento. Deixar eu dizer que o amor não é jogo, que a gente nem precisa de nada disso na verdade e que tudo sobre o que eu sempre escrevi, não passa de uma maldita história mal contada por um menino birrento. Sabe, vamos escrever em letras grandes, que O AMOR É MESMO UMA DROGA. Porque é. Você sabe, eu sei. E mesmo assim, a gente sempre se jogou contra a parede, sempre foi com toda velocidade, de olhos fechados e bem forte. Sempre foi pra machucar.
E sobra a princesa, na torre. Vendo novela e depois o jornal, mas gosta disso, porque pode se convencer que existe gente bem pior do que ela. E assim envelhece, talvez case com um homem rico e boa-pinta, talvez não. O principe também envelhece, com seu cavalo branco pintado de verniz. Desgasta.

Leio Chico Buarque, pra tentar respirar um pouco do crédito e da reverência ao amor, é real, ele acreditava. E não dizia em meias palavras. Leio pra tentar aprender, então decoro Camões e recito que ‘amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente’. Próximo da lista, Cecilia. Ótimo, ela tem um poema ótimo que começa assim: ‘Não, já não falo de ti, já não sei de saudades, fecha-se o coração como um livro cheio de imagens.. ‘. Então eu penso, não, já não falo de ti. É uma pena, você sempre foi meu assunto mais lindo.

Se veja daqui a 1 ano. Ou, daqui a 3. Daqui a 20. O que você pode ver? Uma casa, um carro… Eu estou ai? Eu vou durar tanto tempo no seu coração? Se disser que não, tudo bem, vou entender. Mas se disser que sim, então não tome outra decisão errada, ou se ainda parece certo, por favor, erre comigo dessa vez.
Então o amor é uma droga, concorde comigo. Me diz que foi a primeira coisa coerente que eu falei, me diz pra ir embora, ou que não me quer como amigo. Só não fica em silêncio.  Por favor, que é tão ruim ficar assim.  Já que o motivo de tudo isso daqui,  é só juntar coragem pra conseguir dizer, antes de chegar ao ponto final, que não que importe tanto assim e talvez eu esteja atrasado e tenha passado do horário, mas eu sinto sua falta pra caralho.

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One Response to “Balada do pseudo-príncipe que recitava poemas de amor antes do relógio cantar a décima segunda batida”

  1. Duplo sentido sobre a frase o AMOR É UMA DROGA


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