Não há ninguém aqui.

09mar11

Sabe, não tinha nada. Nem janela, nem porta. No fundo só a voz do Camelo dizendo que todo carnaval tem seu fim. Primeiro eu penso ‘graças a Deus, são 4 dias longos demais’. Mas e ai? Me sinto um inutil por pensar assim. Por ainda não ter aprendido à abrir os braços o máximo que eu posso, porque isso é importante, abrir os braços, você respira melhor, se sente melhor. Isso não é um conselho ok? Não tô dizendo pra ninguém abrir os braços agora, é mais metaforicamente.

Na verdade, a vida é uma grande e redonda metáfora. E ninguém pode realmente entender metade do que tudo quis dizer, posso imaginar alguma espécie de deus, sentadinho, com os pés balançando, olhando aqui pra baixo. Passa a mão pela longa barba branca e dá uma risada com cada bobagem, dai ele simplesmente estala os dedos e tudo muda novamente. Não importa como, mas tudo muda bruscamente e ele torna a rir por mais uns longos dias, até se cansar. No fundo tudo não passa de uma brincadeira de um velho entediado.

Então, abrir os braços é uma ótima opção. Bem profunda se você parar pra pensar. É bem mais do que pintar o estandarte de azul. Sei lá, quer dizer que apesar de tudo, você está de pé.

Apesar de todas as bobagens que eu sempre falo, apesar de todas as pessoas que eu sempre acabo mandando embora – isso é um fato – eu ainda preciso estar de pé e olhar pra frente.
Tudo faz parte dessa urgência, essa vontade de partir, essa ausência enorme e gritante de todas as pessoas que eu amo. Eu sei que é sempre minha culpa. Me vejo como uma estação, ninguém mora numa estação, talvez algum coração vagabundo passe por aqui e fique um dia ou dois. Mas dai volto a ser eu mesmo e fim.
Certa vez eu li, em algum lugar, uma moça falando que pra ela a maior fraqueza de alguém é não saber ficar sozinho. Mas e se eu não souber mesmo ficar sozinho? Pra onde eu corro? Nisso só fica o medo, de amar alguém e ficar pra trás de novo. Porque agora eu só consigo ouvir as ofensas, é mais um laço desfeito, mais um canção que eu não vou mais ouvir. Mas é minha culpa. Então o melhor é não amar e me contentar com o vazio que enche o travesseiro toda noite, antes de eu dormir. É assistir quantos filmes eu – desesperadamente –  puder, é escrever meus sonhos na parede. O melhor é abrir os braços e esperar pelo próximo dia. E depois pelo outro.

E a vida leva embora, sabe? A gente senta e chora, mas a vida leva embora. Vem outro trem, cheio de gente. Ninguém vai ficar, mas eu ainda vou estar aqui e cara, eu queria muito que isso tivesse algum significado.

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One Response to “Não há ninguém aqui.”

  1. 1 soalgumasletras

    “O melhor é abrir os braços e esperar pelo próximo dia. E depois pelo outro.”
    É melhor que venha outra, é bom que venha outro.
    Adoro trens.


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