Céu Azul

21jan11

Depois de muito tempo, um primeiro céu azul. Quando ela acordou se permitiu ficar uns segundos ali, só olhando. Sabia que tava olhando pro céu mas que na verdade, sua cabeça estava em outro lugar. Onde sempre esteve nos últimos dias.
Ela já havia conversado com Deus sobre isso. Ele era muito injusto por ter permitido. Tanta coisa pra ela sentir, tanto sentimento, podia ser um ódio perturbador, ou até mesmo um afeto, de querer cuidar, proteger. – ‘Por que meu Deus? Por que amor?’ – Por que precisava ama-lo tanto que chegava a doer? Incomodava, não era bonito. Ela não era esse tipo de garota. Nunca pediu pra se perder de amor, gostava de ouvir as músicas sem lembrar de ninguém, gostava quando antes deitava na cama e dormia. E não agora, que ela abraça bem forte o travesseiro e se sente uma idiota por saber que no fundo queria que ele estivesse ali.
E também, poxa vida Deus, tanto garoto. Tanto menino normal por ai. Por que justo ele? Por que ele precisava ser tão irritante e ás vezes fazer ela rir tanto? Por que dizer mil coisas erradas e depois, com uma só, ganhar aquele coração inteiro?

Ela deixou meio capuccino em cima da mesa. Sem fome, sem sono. Sentou no sofá e lembrou que, disfarçadamente, ele esteve em seus pensamentos a manhã toda. Não era pra se sentir feliz com isso, alguma coisa tava errada, porque, por algum motivo, lembrar a fazia sorrir.
O celular toca, ela olha o nome dele. Desliga. Fim. Se sente menos mal agora, sorriu antes por lembrar dele, compensou desligando o celular. Tudo controlado novamente. Ela se sentiu feliz, quem disse que esse amor não dá pra controlar? Talvez nem fosse amor, é mesmo, que bobagem pensar que qualquer sentimento bobo é amor.

Alguém chama na rua, ela levanta do sofá, nem tinha notado o quanto tinha dormido. As noites estavam sendo longas. Foi de qualquer jeito lá fora e sentiu seu mundo desabar um pouco quando viu ali aqueles olhos que ela tanto gostava.
Ele estava ali e também nunca diria que passa noites sem dormir, que abraça o travesseiro e fingi não notar a lágrima que escorre. Nunca vai dizer que sente falta. Só está ali, falou alguma coisa sobre só estar de passagem e não querer incomodar. Ela queria mandá-lo embora, dizer o quanto o queria ver longe, o quanto estava cansada de suas idiotices, mas alguma coisa, algo maior simplesmente a fez dizer: fica.
O céu estava azul. Era o primeiro de muito tempo. Eles passaram mais tempo ainda sentados na calçada. Haviam esquecido como era fácil conversar assim. Ela pense nele. Ele pensa nela. E talvez as coisas sejam dificeis dali pra frente, talvez ela brigue como sempre e talvez ele continue da mesma forma. Não vai mudar, por que no fundo sabem que se gostam assim, é assim, mas ninguém está dizendo que é pra ser um romance de cinema, ninguém pede um feliz pra sempre. No fundo, os dois só querem gritar que agora o amor é tão grande que quase podem tocar e que é so pra durar enquanto o amor for mais forte do que a vontade de partir. E se talvez for pra sempre, ótimo. Talvez eles se machuquem, se magoem… Mas enquanto o amor for ainda maior, eles sempre vão ter um céu azul e um ao outro pra mesmo depois das brigas, abraçar e dizer ‘talvez eu queira ficar com você’.

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2 Responses to “Céu Azul”

  1. 1 anaspera

    Ler coisas sobre amor se encontrando nas palavras, esperando um final feliz pra sentir esperança, pra ver que sua história pode terminar em sorrisos.
    Né.

  2. eu adorei*


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