O idiota e o tempo

14dez10

Ninguém te pergunta nada.
Eles colocam todas as cartas em cima de mesa.
Mas ainda assim escondem o jogo.
E eu pedi truco todas as vezes, mesmo sem mania.
Agora eu vejo que eu sempre aposto tudo.
Até o que eu não posso perder.
E depois é muito tarde.
A gente só percebe que é tarde, depois que é realmente tarde.
O tempo é um fanfarrão.
Filhodaputinha.
Eu sempre achei que ás vezes ele é mais rápido de propósito.
E depois que ele toma tudo que a gente tinha,
ele senta na sombra e deixa a vida ir na banguela.
Mas tem um jeito.
Sei que posso lutar contra ele.
Segurar tudo o que eu quiser bem forte, com as duas mãos.
E se o tempo vier tomar você de mim, ele vai ter que aguentar.
Vou brigar com o tempo.
E não vou deixar nunca, você sair de perto de mim.
Do meu coração.

Você não disse que sim.
Você não disse que não.
Você me olhou, como se nunca tivesse me visto de verdade.
E talvez nunca tivesse me visto daquele jeito.
Tão vulnerável a você.
Saco.

Você me disse que andava cheia de coisas pra fazer.
E eu entendi que isso me deixava pra depois.
Você falou que não é bem assim.
Que eu estava diferente desde a morte da Amélie.
Eu perguntei se você não ia mesmo ter tempo pra mim.
Você diz que as coisas são complicadas.
E eu entendi que era hora de ir embora.
Todo mundo sempre diz que tudo é tão complicado.
Mas, talvez eu esteja diferente mesmo.
As coisas mudam, sabe?
Eu tentei por muito tempo viver da mesma maneira.
Não é assim.
A gente muda.

O Sal dormia.
Eram 2 horas da manhã.
E eu andando pelos corredores do prédio.
Lá fora uma chuvinha.
Fraca, fria, solitária.
Me sinto o arrogante mais filho da puta do mundo.
Esse não sou eu.
Eu não pensava assim.
Antigamente eu estaria na sua porta.
Será que o tempo passou mesmo tão depressa pra mim?
Que até o rosto no espelho não sorri mais da mesma forma..

3 da manhã.
O casal que mora no fim do corredor começa a brigar.
Adeus silêncio.
3:30 da manhã.
Eu sento no corredor, a chuva aumenta.
Eu finalmente durmo um pouco.
4 da manhã.
Eu abro os olhos e vejo você.
Sentada me olhando dormir.

Você esta molhada.
Com o cabelo todo bagunçado e a maquiagem borrada.
Nunca esteve tão linda.
Pergunto o que você está fazendo aqui.
E você disse: eu não menti pra você. Talvez eu só esteja ocupada demais. E se 4 horas da manhã for o único tempo que eu tiver pra te ver, resolvi que dormir talvez não seja mais tão importante.
Então eu me sinto idiota.
E percebo que você está tremendo de frio.
Que talvez toda a minha ultra preocupação em ser dramatico não tenha me deixado ver o que era mais importante.
E me apaixono pela sua cara de cansada.
Te abraço e pergunto: você não quer mesmo dormir?
– Você não vai ficar chateado?
– Não.
– Ok, você é a segunda coisa mais importante pra mim, logo depois de dormir. Juro.

Café.
Você acordou cedinho e foi embora.
Me beijou antes de ir, falou que ia voltar.
Falou que quando alguém é importante pra gente, a gente sempre arruma um tempinho.
Pra ficar junto, pra abraçar.
Um tempo.
Sem desculpas, sem promessas quebradas.
E eu pensei: cara, como eu gosto dessa garota.

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3 Responses to “O idiota e o tempo”

  1. ta ficando menos revoltado, nem mostrou o pinto e tal… haha
    *-*

  2. 2 Suuh

    eu gostei *-*

  3. sempre experimentando as palavras de modos novos, diferentes (:


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