Abrindo as portas, pra te deixar ficar

30out10

– O tempo passa depressa.
– O tempo, ou a gente que corre demais?
– O tempo. Por falar nisso, vai chover. Quando chove é engraçado, os pingos da chuva fazem uma música no telhado e eu sempre tive vontade de tentar contar todos.
– Abre a janela.
– Por que abrir a janela? Não quero que molhe o chão e nem as roupas em cima da cama. Meu deus, se cair uma gota na televisão… Não gosto nem de pensar.
– Então não pense, apenas abra a janela. Eu já disse pra você que ás vezes, você pensa demais. Quando a chuva passar, 0 sol vai te acordar, batendo devagar no seu rosto.
– Mas e minha tv?
– Você vai ter sorte se ela não ligar mais…
– É, está longe o bastante pra ligar.  As pessoas nunca ligam, só fingem se importar.
– Eu me importo. Não saberia como não me importar. Por mais que eu tente. Nunca fui boa em fingir. E, acho que eu te ligaria, se não se importasse.
– Eu não me importaria. Gosto muito da sua voz.
– Isso é muito relativo. Você gostar da minha voz. Hoje você gosta, amanhã não. É sempre assim, com todos. A gente tem o dom de desgostar das coisas, em uma noite.
– Mas sei qu
e gosto hoje. Isso deveria importar.
– E importa. Não muito. Mas importa.
– E o que importa mais?
– Sei lá… A fome, a doença, o filme que eu quero ver. Na verdade, você gostar ou não da minha voz, está bem baixo na minha escala de preocupações…
– Você faz uma escala de preocupações?
– Você não?
– Eu nunca faço escala alguma. A vida não deveria ser comparativa. Um dia não é igual ao outro. Uma pena, porque dai eu escolheria só os melhores dias…
– O que é realmente besteira. Pois se todos os dias fossem bons, eles se tornariam dias normais. E dai tentaríamos fazer deles, dias melhores. Mas não seria possível, pois oficialmente, eles já seriam os melhores dias de nossas vidas.
– Você já pensou muito sobre isso.
– Eu penso em muitas coisas…
– Já pensou em nós?
– Claro.
– E o que pensou?
– Que você era uma idéia incrivelmente errada. E que eu deveria te evitar, ainda mais porque eu sou toda errada. Mas, talvez por isso dê certo.
– Não entendi.
– Você nunca entende. E você, pensou em nós?
– Uhun, era como estar na chuva e não querer me molhar. Você é algo que, felizmente, eu nunca soube evitar. E acredite, eu tentei algumas vezes. Falhei incrivelmente em todas elas.
– Faz parte do meu jogo.
– Só não me deixe perder.
– Relaxa, eu escolhi jogar do seu lado.
– Hum… Então já posso abrir os olhos?
– Não. Eu ainda não abri os meus, seria injusto.
– Ok, e como é mesmo a brincadeira?
– Não tem brincadeira, só ficaremos assim. E você poderia parar de falar, sabe? Pra sentir um pouco o mundo ao nosso redor.
– Eu ficaria realmente muito mais feliz em sentir apenas seu abraço.
– Quando eu disser 3, a gente abre os olhos… 1, 2, 3! … Hei, você não abriu.
– Me desculpe, eu estava empolgado agora. Estou memorizando como é esse sentimento de estar de olhos fechados.
– Por que?
– Pra me apaixonar mais um pouco assim que eu abrir os olhos.
– Vai, abre os olhos. O tempo passa muito depressa.
– Não é a gente que corre?
– Posso até correr… Se você me der a mão e vier correr comigo.

Anúncios


3 Responses to “Abrindo as portas, pra te deixar ficar”

  1. 1 Suuh

    Oun’ ée lindo *-*

  2. a cor roxa me confunde.

  3. 3 soalgumasletras

    eu acho que demoro pra entender as coisas …
    gostei.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: