‘Pra que brincar de ter razão?’

15jul10

(Eu imaginei isso algum tempo atrás. Mas esperava o dia certo pra escrever e aproveitando o ar de luto pela casa, passo pra cá agora, o que andava pela minha cabeça, em forma de história, pra ficar mais divertido de ler…)

3 meses e 17 dias.
Ele contou cada instante! Ele decorou cada segundo porque já tinha na cabeça que não poderia ser pra sempre, talvez se tivesse acreditado um pouco mais, se tivesse confiado de todo coração no ‘pra sempre’, talvez ele tivesse existido.
Mas não acreditou. Por isso, 3 meses e 17 dias. Contados.
Aquele era exatamente o dia do fim. O décimo sétimo, depois dos 3 meses. E ele sabe, com toda a certeza, que nunca foi tão feliz. Mesmo que tenha sido só por aquele curto tempo.

Ela falou que precisava conversar. Ele falou que tudo bem, claro. Era um noite fria, daquelas de fim de outono. As folhas caiam das árvores, o vento bagunçava o cabelo e as ruas sempre pareciam mais bonitas.
Ela chegou, cumprimentou com um aceno. Sem nem um beijo no rosto. Ele entendeu, ficou claro ali. Naquele instante. Então não pôde esperar. Fechou os olhos e começou a falar, porque sabia que só teria aquela chance ali…
-…Se for pra terminar comigo e eu sei que é exatamente isso que você quer fazer. Termina agora, de uma vez! E se gostou de mim algum dia e agora realmente não se importa mais ao ponto de terminar tudo, então faça com que eu te odeie. Faça com que eu não queira te ver mais! Me faça chorar agora. Por favor, não termine de forma doce, não termine dizendo palavras legais e explicando sobre tudo. Seja cruel, pegue meu coração e jogue no lixo, me faça querer esquecer você! Não me deixe dúvidas quanto a isso, se não eu vou passar o resto de minha vida, achando que você me quer de volta. Então termine da forma mais cruel que você puder…

Ela ficou sem reação alguma. Por um segundo, que pareceu meses de silêncio, o mundo não girou mais. E talvez, eu acho que o mundo nunca mais girou. Ficaram duas vidas presas nas grades do tempo. Ela olhou nos olhos dele e falou: ‘Eu nunca te amei. Eu trai você. Você é detestável, eu não suporto mais olhar pra sua cara. Eu odeio você, eu realmente odeio você…. Eu realmente NUNCA amei você. Então acaba aqui, Ok? ‘
Simples e direto assim.
A vantagem é que não precisou de motivos. Ele levantou e foi embora. E guardou na memória, 3 meses e 17 dias.

E ela, ela foi embora pra casa. Chegou em casa e chorou, como nunca tinha chorado antes. Porque era de verdade aquilo, todas as pequenas mentiras para encobrir a verdade, sobre o tanto que ela o amava. Porque ela sim, o amava de verdade.

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7 Responses to “‘Pra que brincar de ter razão?’”

  1. 1 Súh

    Oun’ to sem palavras

  2. “Seja cruel, pegue meu coração e jogue no lixo, me faça querer esquecer você! Não me deixe dúvidas quanto a isso, se não eu vou passar o resto de minha vida, achando que você me quer de volta.”

    Estranho dizer, talvez um pouco de constrangimento, eu chorei e ponto.

  3. 6 soalgumasletras

    “Seja cruel, pegue meu coração e jogue no lixo, me faça querer esquecer você! Não me deixe dúvidas quanto a isso, se não eu vou passar o resto de minha vida, achando que você me quer de volta. Então termine da forma mais cruel que você puder…”

    Realmente é muito melhor que seja assim, frio, cruel. Acho que entendo bem disso.

  4. 7 soalgumasletras

    Melhor do que esperar por palavras e nunca telas é saber cruelmente tudo isso, do que receber palavras doces e viver algo que nunca existiu. Se existiu talves pudesse ter sido diferente.


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