A ponte ( ou, a única saída)

26jul09

Ele se sentou na calçada.
Seus planos de felicidade estavam do seu lado na sarjeta, a música que escapava das portas do baile, soavam como marcha fúnebre, o atestado de sua morte e de sua derrota.
Ele não acreditava como podia ser tão burro, ao ponto de viajar quilometros e vir atras dela, para depois a encontrar assim… Feliz.

Ficou sentado pelo o que pareceu ser toda uma eternidade, sentia as lágrimas teimarem em vir, mas ele não ia chorar! Não por alguém que não merecesse uma gota de seu amor.
De repente a música acabou e as pessoas começaram a sair do baile, ele correu se esconder atrás de uma árvore e ficou ali, vendo as pessoas sairem, não sabia porque não ia embora, talvez precisasse ter certeza de que era ela mesmo aquela garota. Que aquela era a mesma garota que ele havia conhecido e amado, não, e ainda amava.

Muitas pessoas saiam, e no meio da multidão ele viu, ela linda, com o cabelo todo bagunçado, a maquiagem borrada e o rosto marcado por lágrimas. Mas ela saia sorrindo, dando gargalhadas, abraçada com um rapaz bonitão, que parecia tão bebado quanto ela. Ele ficou olhando dali, tentando entender porque dava tudo tão errado, porque ele não poderia simplesmente ser igual a todos? Talvez agora estivesse saindo do baile também, com uma menina qualquer, se preparando para sentir-se um derrotado quando o dia fosse amanhecer.
Mas ele estava ali, se sentindo o pior cara do mundo, escondido atrás de uma árvore, assistindo a garota dos seus sonhos passar no vestido mais perfeito, com um homem que ela nunca mais vai se lembrar.

Fechou os olhos por um segundo e se virou para partir, quando deu alguns passos, ouviu um tumulto, uma especie de briga. Ele se virou rapidamente, bem a tempo de ve-lá tomando um tapa na cara, de um cara que aparentemente, dizia ser seu acompanhante no baile. Ele se preparou para brigar, mal derá dois passos, sentiu seu mundo desabar. Ela simplesmente beijou o cara que havia lhe dado um tapa e as pessoas nem se importavam.
Ele correu.

Os garotos à apelidaram de ‘Ponte do pulo’, pois, não há uma pessoa na cidade que nunca tenha se divertido ali. Uma ponte de concreto, onde passam carros e tem um belo rio embaixo e sempre foi costume nas férias de verão, a mulecada passar tardes ali. Para ele não foi diferente, ele teve amigos e sempre teve um medo enorme de saltar da ponte, talvez fosse o único garoto que nunca pulou, e isso era motivo de muita zoação. Mas ele se lembra bem, o maior desafio que sempre tinham, era de subir na mureta da ponte, que segurava a grade e virar um mortal dali. Ele apenas sempre gostou de estar ali, sentado naquela mureta, ou apoiado na grade, enquanto seus amigos pulavam felizes.
Mas para ele, aquela ponte também é feliz, foi ali, num pôr-do-sol, vendo as crianças pularem alegremente no rio, em que ela lhe dissera pela primeira vez ‘eu amo você.’

Ele chegou na ponte, as pessoas passavam felizes á volta. Todas comentando do super baile que acabaram de ter e algumas garotas choravam por seus pares, alguns garotos caiam de bebados.
Ele parou na ponte lembrando de sua infancia, sentou-se na mureta carregada de lembranças que tanto o ajudava a refletir e compor.
Observou o rio, as gotas da garoa faziam uma das imagens mais linda que ele jamais vira. Lembrou da tarde em que ela dissera que o amava e se perguntou como que as coisas podiam mudar assim. Não era justo. Por que a felicidade o abandonara?
Certa vez disseram, que Deus as vezes se esquece de alguns de nós, e é exatamente nisso que ele pensava.
Se lembrou dos momentos felizes que tiveram e dela beijando aquele cara ridiculo agora, e pensou o quão ridicula ela estava e se deu conta do quão ruim era ama-la. E de como adoraria mudar isso. Como adoraria esquecer tudo!!!
E se deu conta, de como estava arrependido de toda a sua vida. Como ele sempre foi um erro.

As pessoas passavam atras dele e não percebiam como o mundo estava todo ao contrario, como as pessoas simplesmente não percebem? São tão cegas…

Ele percebeu um tronco grande descendo o rio e percebeu também que eles eram iguais. Talvez houvesse vida no tronco ainda, mas tudo que o fazia respirar já havia sido tirado dele e agora não restava nada, apenas deixar o rio levar. De repente ele se pôs de pé, na mureta, abriu os abraços, mais pessoas estavam chegando perto da ponte, ‘ elas não irão reparar, ninguem nunca me vê mesmo, o mundo vai ser igual amanhã.’ E então se lembrou dos garotos que zuavam por ele não pular da ponte quando muleque, então se dirigiu a ponta da muretinha e mirando bem o tronco ele pulou de ponta, sentindo-se mais leve. O vento pelos seus cabelos e o instante, antes da dor.

Depois branco.

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6 Responses to “A ponte ( ou, a única saída)”

  1. 1 marcela

    ai ai ai, continuuuuua 9.9

  2. 2 Cáa !

    adoro entender seus textooooos *-* – taa, parei 😐

    Daaaan, para de escrever tão beeem ♥

  3. 3 Cáa !

    adoro quando emoticons aparecem do nada nos meus comentáarios :O

  4. 4 . fêe

    Dan *o* mow perfeito meu! curti deemais e estou ancioso pra continuar lendo <33 abraço meu bom e força sempre.

  5. 5 Biah

    Era isso que ele sempre quis não? ser notado de alguma maneira o.O e ao mesmo tempo tentar esquecer de tudo.

    …”porque ele não poderia simplesmente ser igual a todos? “… pq ser igual a todos é muito xato.

    ELA, uma garota jovem, que não sabe o que quer da vida, ou sabe mas não tem coragem ou talento para ir frente e desiste(cansa) de tudo muito fácil.

    Realmente Dan, uma história fascinante, que faz imaginarmos as cenas diante da tela, e cada um criar seu conceito para com os personagens.

    Não sei, me identifiquei com ele, só estou um pouco mais adiantada, no ponto em que se liga o “FODA-SE” no ultimo volume, e decide ir de encontro com a felicidade ^^

    Continua que eu gamei na história, tenho certeza que vai ser uma relação muito interessante entre a minha pessoa e os capítulos da história

    AOIEUAIOUIUEIAUIAUEI [viajei agoa néeh]

  6. 6 Biah

    puts, desculpa, estava com fome e comi o R dali de cima 😮
    num sei, acho que falei besteira e entendi as coisas erradas, mas foi do meu ponto de vista ta
    🙂


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