Ícaro sobre as chamas

11fev09

Assim ele nasceu.
Como as coisas tolas nascem do vento.
Entre tijolos amarelos, de lá surgiu o mais belo dos coelhos.
Branco, olhos puros.
Mais vivia entre os gigante dos castelos no céu.
Fato: as pessoas grandes são más. O coelho sempre teve um bom coração, mas de que vale o amor quando não é correspondido? Nada à volta do coelho sabia o que era o amor, nada à volta do coelho sentia.

Um garoto com flechas nas palpebras por lá passava.
Guiado pelo seu coração. Sua meta era voar pra onde o amor não houvesse florescido.

Em um dia comum, o coelho corria entre os gigantes e os moinhos de vento.
Pra variar todos o ignoravam, como faziam desde que ele havia nascido.
Ele nunca pensou no sentido de sua vida, nem na ausência que era dormir sem sonhar, sem pensar.
Andava pelas nuvens de algodão como quem anda pelas ruas cinzentas.

O garoto das flechas avistou o coelho.
E não conseguiu entender, como algo tão belo, não tinha amor no coração.
Com suas asas de cera, se pôs bem perto do coelho.
E com todo o seu coração, atirou as flechas no coelho para que ele jamais esquecesse de voltar a sorrir.

O coelho se sentiu desorientado, tanta coisa acontecia ao mesmo tempo.
Seu coração batia, seu olhos se enchiam de lágrimas!
E ao ver aquele garoto de asas de cera, seu mundo pareceu desabar.
Correu por entre os gigantes e acho lindos lirios.
Ninguem nunca havia notado que tinham flores ali.
E foi entregar o lirío ao anjo, que o havia despertado para a vida.

Ao pegar o lirio das patas do coelho, uma lágrima escorreu dos olhos do garoto.
Aquele coelho era o símbolo de tudo o que havia de mais puro e inocente.
No começo a incerteza, depois a descoberta e por fim o afeto, o amor.

O garoto tentou explicar para o coelho que o mundo não é daquele jeito.
“O amor não vale a pena” – dizia ele.
Mas o coelho não queria entender. Ele queria um amigo.

O garoto pensou em todas as apostas que havia perdido para o espelho.
Ele lembrou que a vida era algo tão distante.
“Paixão, me faz ser alguém.”
E com todas as suas forças, o garoto libertou o coelho da terra dos homens grandes.
Deixou o coelho confuso jogar-se entre as luzes da cidade.
E vuou.
Para perto do sol.
Sem saber se pode confiar em suas asas de cera.

O coelho acordou devagar.
Seu mundo havia mudado.
Ele sentia o coração bater.
O silêncio não deixava respirar.
E ele se sentia mais só do que nunca.

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