estamos bem

10out18

foi um temporal que tirou a gente do lugar,
não foi uma semana fácil
na verdade, faz tempo que não tem sido fácil

eles venceram

mas isso não quer dizer necessariamente
que a gente perdeu

de vez em quando eu penso no futuro
e ouço um barulho ensurdecedor,
parece que estamos andando de costas
parece que meus amigos cresceram cheios de ódio
parece que eles não são mais meus amigos

mas eles venceram
e a gente vai ficar bem

acho que por isso eu tenho tido tanta urgência
eu quero te contar as coisas boas do meu dia
quero te mostrar uma música nova
quero te contar desde quando me apaixonei por você

antes que o amor perca
pois eles venceram

e mesmo que tudo fique bem
(e vai ficar)
as coisas não voltam como eram antes.
é entropia.
parece que eu nunca mais vou ver alguns amigos da mesma forma.
mas parece, ainda bem,
que gosto de algumas pessoas ainda mais do que antes!
e isso nos faz crescer como gigantes.

somos fortes.
estamos bem.
o amor, em todas as suas infinitas formas, é a única revolução.

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continue me olhando antes que o mundo acabe
porque ele vai acabar, uma hora ou outra
aliás, tenho uma teoria de que ele acaba toda semana
principalmente se não te vejo.
e se eu não te vejo a gente desaparece
e você me deixa em apuros.

na verdade eu tô sempre em apuros
tropeçando nas coisas que me lembram você
como o sol, o céu, as músicas, o vento
o cachorro preguiçoso, o silêncio de quando perco o sono
e eu penso em te ligar,
mas são duas ou três da manhã
e o mundo ainda nem acabou.

mas vai acabar
com certeza.
ou talvez a gente acabe indo pra algum outro lugar
em outra vida
e eu daria tudo para ser outra pessoa
para te roubar umas horas a mais.

então me olhe agora.
me chame pra dançar agora.
me leva pra sair.
ou me leva pra não fazer nada,
mas me tira daqui, e me faz sua companhia
como se eu fosse uma música que não sai mais da sua cabeça.

porque a gente nem tem tanto tempo assim
no máximo mais uns 80 anos.
ou só umas horas a mais
antes da gente sumir pra sempre.

e eu adoraria perder qualquer tempo a mais com você.


as coisas acontecem por qualquer motivo banal.
são elas que escolhem aparecer, como se tivessem vida própria,
e nos importunam até umas 3 ou 4 da manhã.
algumas coisas são bem boas, tipo boas pra cacete.
outras são ruins pra cacete.

as coisas ruins derrubam portas
e nos atropelam como um furgão desgovernado na avenida.
e a gente fica alguns dias depois
sem saber direito o que aconteceu
e juntando umas partes nossas que ficaram perdidas por ai.

as coisas boas são sutis.
como um olhar ou uma risada boba em comum.

as coisas ruins são chamativas
e gritam bem alto. provavelmente são acompanhadas com ódio
e trazem mais um bucado de coisas ruins junto.
(juro que quando escrevi não tinha nada a ver com aquele maluco doido
que umas pessoas com índole duvidosa querem pra presidente. #elenão)

as coisas boas falam bem baixinho
quase um sussurro.
e cantam realmente bem.

as coisas ruins tomam conta da gente.
tiram a voz da nossa garganta, 
e fazem com que a gente se sinta a pior pessoa do universo
e, se não bastasse, deixam o mundo cinza
as costas doem, a febre chega, a gente perde a fome
e o medo de escuro aumenta.
as coisas ruins não querem acordo.
elas são apenas ruins. é da natureza delas.
e elas não avisam mesmo quando vão aparecer.

as coisas boas costumam ter olhos grandes
e só dizem, com a voz calma
pra gente respirar, que vai ficar tudo bem.

e, olha só, elas costumam estar certo.

por que as coisas ruins, esse é o maior problema
são coisas boas que às vezes andam pra outro lado.
e por mais que a gente diga que o mundo é injusto,
ele não tem culpa.
a gente é que precisa mudar o tom.
vestir uma roupa nova e ouvir o disco novo
que aquela banda legal lançou na semana passada.

as coisas boas ficam só olhando de longe,
porque a gente é meio besta e demora pra perceber que elas estão ali
e elas chamam a gente pra tomar sorvete de flocos,
e sentam do nosso lado na escada.


é um título meio auto-explicativo. como boa parte das coisas são. bobagem mesmo é a gente que fica olhando e olhando pra mais longe e vai perdendo as coisas que estão por perto. acho que na verdade passei meu último ano todo estendendo minhas mãos pra te trazer o mais pra perto possível. eu juro que eu queria saber falar mais sobre as coisas, e não só um monte de bobagem que não diz tanta coisa ou nem faz tanto sentido na maior parte do tempo. eu juro que é sempre uma droga quando te vejo indo embora. e queria te segurar por aqui, fazer um café, contar qualquer história e ouvir as suas, falar sobre o tempo que vai fazer a noite. sempre gosto de pensar no tempo. não se vai chover ou se vai fazer sol. mas no tempo correndo e passando por entre a gente. e eu queria congelar todos aqueles segundos infinitos onde nossos olhos se esbarram e você acaba me deixando sem ar. o tempo congela quando te vejo existindo. o passado e o futuro se confundem e toda manhã bem cedinho parece que chega mais depressa porque os dias também são tão ansiosos e gostam de fazer a gente se encontrar. então parece que as semanas correm tanto que até voam, aí você aparece. mas isso nem quer dizer tanta coisa assim, porque é óbvio que eu consigo ficar mais de 1 hora sem pensar em você. inclusive posso começar agora. só não quero. 


eu tenho uma teoria de que te reconheceria em qualquer lugar
entre todas as pessoas, mesmo daqui mil anos
quando eu for só um senhor de idade velho pra cacete de mil anos
eu ainda te olharia e te reconheceria em qualquer lugar.

talvez, se você nem existisse, eu ainda te reconheceria em qualquer lugar
provavelmente teria qualquer tipo de delírio por você não existir e te inventaria,
pra mesmo assim continuar te vendo em todo lugar.

você existe na multidão, onde observo todos os rostos em seu olhar
você existe nos livros separados por cor, nos filmes que quero te mostrar
e mesmo quando eu estiver absolutamente perdido
– e isso sempre vai acontecer com a droga de memória que eu tenho –
eu ainda vou estar tranquilo, porque vou continuar te encontrado em qualquer lugar.

como se fosse um ponto de referência, sempre tão perto mas tão distante
seja do outro lado da rua, descendo a escada, ou dançando sem parar
provavelmente faz parte de qualquer loucura da minha cabeça
mas mesmo assim eu sempre te reconheceria em qualquer lugar.

você existe e me bagunça tanto

que vou te deixando em todas as músicas que encontro
e torcendo mesmo pra você trombar comigo,
qualquer horas dessas em qualquer lugar.


outra pessoa

30ago18

eu não sou muito de exageros,
nem de contar qualquer vantagem
das histórias que a gente conversa
eu vou guardando tudo que você diz e assim
fico só esperando o momento
em que eu faça parte de qualquer uma delas

em outros dias eu fui outra pessoa
pra roubar sua atenção
quando não te via passar

ou tentava na verdade
esquecer tudo que me dizia
pra te ouvir contando suas histórias outra vez

é como toda vez que a gente conversa
e as horas passam tão mais depressa
acho que preciso de qualquer outra distração
enquanto você não chega
porque enlouqueço com minha própria voz
e o relógio não tem outra explicação


eu vou continuar te olhando
até certeza absoluta
de que você também não vai parar de olhar pra mim

e se toda essa distância forem os 3 ou 4 passos mais longos do mundo
eu juro que faço o mesmo caminho mil vezes pra te ver sorrindo nessa luz

porque algumas coisas que a gente fala
voltam pra nos cobrar depois 
e ficam dançando ao nosso redor

e se eu lembro de toda vez que sua voz te apresentou pra mim
eu não sei mais o que fazer com essa bagunça que você deixa

então eu vou continuar te procurando
até ter certeza absoluta
de que você me leva junto quando vai embora