tenho sempre medo de falar demais, sobre coisas demais
e não caber dentro de mim,
nem silenciar minha cabeça
ou acalmar meu coração
e esquecer de respirar.

na verdade
eu tenho respirado mais
escrito mais 
aprendi os nomes de umas cores novas
terminei uns livros que deixei pela metade
vi uns filmes diferentes

e até fiz uma música. 
eu faria uma música pra você.
eu cantaria ela pra você.

talvez você já saiba mais sobre mim do que eu mesmo,
talvez eu queria muito te levar pra jantar.

porque, de vez em quando
e ouça bem, só de vez em quando mesmo
aparece alguém
que faz a vida deixar de ser
a droga de um sonho ruim,
e a gente precisa fazer tudo que puder
a gente precisa segurar com as duas mãos
e com a bravura de um herói
e a maior sinceridade possível
a gente precisa pedir pra essa pessoa ficar
pra nem que seja mais um café,
ou, se puder,

mais uma tarde, ou duas
ou só até esse ano acabar

e sobre o próximo ano conversa depois,
pra não atropelar as coisas,
e resolver tudo assim, um sorriso de cada vez.

fala pra ela,
principalmente se o mundo parar quando ela estiver por perto
porque isso sim é uma sorte grande do caramba.

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então todas as gotas de chuva
parecem tentar te dizer 
qualquer outra coisa
que você pelo amor deus não quer ouvir.
como um rádio mal sintonizado
tocando sua música favorita,
acho que se eu pudesse te alcançar
não te diria nada de diferente,
seríamos só mais outras duas pessoas
em mais outra cidade
e eu te abraçaria
porque acho que isso é tudo que eu gostaria de fazer.

então a chuva vem
e é melhor levar seu guarda-chuva,
talvez não adiante rezar
já que ninguém costuma responder.
mas é melhor tomar todos os golpes
um atrás do outro
e aproveitar que toda dor passa tão depressa.
e todo silêncio que fica na minha cabeça
quando você fala comigo
me deixa tão sem ar,
que eu só te abraçaria
porque acho que isso é tudo que eu gostaria de fazer.

então a chuva vem
de vez em quando a vida parece mais ou menos impossível,
mas eu te abraçaria pra contar que
de qualquer forma, tudo vai ficar mais ou menos bem.


estive parado aqui
olhando pra você.

pro escuro, pra sua respiração
para os seus dedos. 
eu não tive coragem de falar palavra alguma
então só fiquei aqui
olhando pra você.

eu queria te contar sobre todas as luzes
e sobre as cores 
e sobre a música que eu fiz
mas vive dentro da minha cabeça
e toca, não para nunca de tocar
principalmente quando fico assim
olhando pra você.

e minhas mãos tremem,
como se existisse qualquer coisa
girando ao meu redor,
e na verdade é só outra metáfora ruim
que serve como tentativa
de justificar qualquer motivo
para eu não estar entre seus dedos,
e de longe só ficar assim
olhando pra você.

quando nem toda distância parece longe demais
eu disfarço, te confundo
me escondo
e te provo por A + B
que de vez em quando
a coisa mais lógica que a gente pode dizer
é qualquer poema rabiscado
que fale sobre como eu continuo parado
olhando pra você.


todos os fantasmas que me acompanham

são poetas, músicos, vagabundos

madrugam ao som de blues

com a cabeça dividida entre amores

um cigarro fumado pela metade

e o próximo trabalho na ponta dos dedos.

somos uma geração de artistas

sem talento algum.

não somos poetas por vocação

fazemos o que fazemos por desespero

pra perder o medo da nossa voz

porque todas as nossas canções já estão dentro de nós,

e todos os filmes que quero escrever

já povoam a minha cabeça.

eu vim nesse mundo junto com eles,

com esses poetas, músicos, vagabundos

e nosso maior crime é não ter planos pra além dessa semana.

talvez a gente ande de olhar em olhar

de toda essa gente na rua

de todos os lugares lotados,

procurando qualquer olhar que passe a madrugada

e vença todas as noites. 

bobagem é quem nunca viu o sol nascer.

bobagem é essa luz que me deixa sem ar

de tão bonita que você fica.

e são todos poemas, todas as canções

e todos os filmes que você coloca na minha cabeça

que passam ao mesmo tempo

e eu tento segurar tudo

mas minhas mãos nunca são rápidas demais.


espero não atrapalhar nada
nem bagunçar as coisas
nem tropeçar no meus pés,
quero embrulhar toda calma
e toda minha euforia ao olhar pra você
e embrulhar num presente bonito
pra que você consiga te ver
exatamente como eu te vejo.

ficaria acordado se me pedisse
até acordaria mais cedo
aprenderia a te abraçar
e enfrentaria todos os seus medos
pra que nenhum mal pudesse te atingir.

como se eu tivesse passado tempo demais
te olhando entre tanta gente
e toda minha coragem fosse um sopro de ar
antes de afundar bem rápido 
no rio dos seus olhos
e eu só voltasse a sentir meu dedos
quando você respondesse meu oi.

nem foguetes chegam tão rápido aos céus
mas a gente conta as estrelas até chegar no infinito
e depois volta no zero
só pra não acabar mais. 


meus lábios estão sangrando
e todos os livros dessa casa
estão arranjados por cores,
não como se você soubesse do que eu tô falando,
mas eu queria te falar qualquer coisa
de qualquer forma. 

isso é sobre a forma como flutuamos em cima da grama,
a gente nunca vai tão alto
mas sempre chegamos tão perto.
e se você olhasse pra mim
e abrisse meus olhos como um guarda-chuva,
talvez eu conguisse 
passar outra noite em claro
contando postes e vaga-lumes do fundo do mar.

na verdade vou te esconder de mim mesmo
e de todos os pássaros e estrelas
e mesmo assim quando eu estiver mais velho
vou me lembrar do seu rosto.
e de todas as coisas que eu falo
e eu dançaria ouvindo sua música favorita
me perdendo dos meus próprios pés
e te procurando pra contar
como foi meu dia,
e no resto de minha vida estaria tudo bem.


som e cor

22ago17

se eu te chamar do outro lado da rua
se virar pra trás, me procura
se eu te olhar duas ou três vezes
só pra ter certeza se você não está mesmo olhando pra mim também,
pode ser você na fotografia
seu cabelo que fica tão bem assim,
pode ser o andar lento da chuva,
a gente de ponta cabeça 
cheios de som e cor 
e eu não respiro,
não ouso respirar,
toda vez que você olha pra mim.

toda elegância repousa na luz do abajur,
seus dedos a percorrem como se fosse água
e você percebe que não existe certeza alguma
nada além de alguns dias riscados,
e se eu não enlouquecer 
talvez qualquer dia eu te conte
que eu te vi bem antes de você me ver.