é um título meio auto-explicativo. como boa parte das coisas são. bobagem mesmo é a gente que fica olhando e olhando pra mais longe e vai perdendo as coisas que estão por perto. acho que na verdade passei meu último ano todo estendendo minhas mãos pra te trazer o mais pra perto possível. eu juro que eu queria saber falar mais sobre as coisas, e não só um monte de bobagem que não diz tanta coisa ou nem faz tanto sentido na maior parte do tempo. eu juro que é sempre uma droga quando te vejo indo embora. e queria te segurar por aqui, fazer um café, contar qualquer história e ouvir as suas, falar sobre o tempo que vai fazer a noite. sempre gosto de pensar no tempo. não se vai chover ou se vai fazer sol. mas no tempo correndo e passando por entre a gente. e eu queria congelar todos aqueles segundos infinitos onde nossos olhos se esbarram e você acaba me deixando sem ar. o tempo congela quando te vejo existindo. o passado e o futuro se confundem e toda manhã bem cedinho parece que chega mais depressa porque os dias também são tão ansiosos e gostam de fazer a gente se encontrar. então parece que as semanas correm tanto que até voam, aí você aparece. mas isso nem quer dizer tanta coisa assim, porque é óbvio que eu consigo ficar mais de 1 hora sem pensar em você. inclusive posso começar agora. só não quero. 

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eu tenho uma teoria de que te reconheceria em qualquer lugar
entre todas as pessoas, mesmo daqui mil anos
quando eu for só um senhor de idade velho pra cacete de mil anos
eu ainda te olharia e te reconheceria em qualquer lugar.

talvez, se você nem existisse, eu ainda te reconheceria em qualquer lugar
provavelmente teria qualquer tipo de delírio por você não existir e te inventaria,
pra mesmo assim continuar te vendo em todo lugar.

você existe na multidão, onde observo todos os rostos em seu olhar
você existe nos livros separados por cor, nos filmes que quero te mostrar
e mesmo quando eu estiver absolutamente perdido
– e isso sempre vai acontecer com a droga de memória que eu tenho –
eu ainda vou estar tranquilo, porque vou continuar te encontrado em qualquer lugar.

como se fosse um ponto de referência, sempre tão perto mas tão distante
seja do outro lado da rua, descendo a escada, ou dançando sem parar
provavelmente faz parte de qualquer loucura da minha cabeça
mas mesmo assim eu sempre te reconheceria em qualquer lugar.

você existe e me bagunça tanto

que vou te deixando em todas as músicas que encontro
e torcendo mesmo pra você trombar comigo,
qualquer horas dessas em qualquer lugar.


outra pessoa

30ago18

eu não sou muito de exageros,
nem de contar qualquer vantagem
das histórias que a gente conversa
eu vou guardando tudo que você diz e assim
fico só esperando o momento
em que eu faça parte de qualquer uma delas

em outros dias eu fui outra pessoa
pra roubar sua atenção
quando não te via passar

ou tentava na verdade
esquecer tudo que me dizia
pra te ouvir contando suas histórias outra vez

é como toda vez que a gente conversa
e as horas passam tão mais depressa
acho que preciso de qualquer outra distração
enquanto você não chega
porque enlouqueço com minha própria voz
e o relógio não tem outra explicação


eu vou continuar te olhando
até certeza absoluta
de que você também não vai parar de olhar pra mim

e se toda essa distância forem os 3 ou 4 passos mais longos do mundo
eu juro que faço o mesmo caminho mil vezes pra te ver sorrindo nessa luz

porque algumas coisas que a gente fala
voltam pra nos cobrar depois 
e ficam dançando ao nosso redor

e se eu lembro de toda vez que sua voz te apresentou pra mim
eu não sei mais o que fazer com essa bagunça que você deixa

então eu vou continuar te procurando
até ter certeza absoluta
de que você me leva junto quando vai embora


fazia parte de estar assim, parado, deixando o sol tomar conta do meu rosto
e estreitando o olhar só pra tentar perceber se é você quem vai passar.
como todo muro que a gente ergue bem alto pra não deixar ninguém entrar
torço pra que você tente derrubar todas as minhas barreiras,
não que eu vá dificultar alguma coisa, ou qualquer coisa assim
só acho que tenho tanto medo, que preciso que você, em algum momento
me segure pelos ombros e diga, olhando para mim, que tudo vai ficar bem.
porque somos essa tempestade inconstante e barulhenta
que sacode a casa inteira e faz as telhas saírem e treme até a janela.
e talvez essa seja nossa melhor parte, essa bagunça, todo esse ranger de dentes
é o melhor que podemos ser, pelo menos agora, provavelmente ainda por uns anos.
e se tivermos a sorte absurda de encontrar qualquer abrigo
qualquer pessoa feita de tempestade, que combine com a nossa
e se tudo isso, se todo esse tremer da terra fizer qualquer sentido
tirar qualquer sorriso e fizer brilhar qualquer ponta de esperança
de que tudo vai ficar bem, que sorte a nossa. que sorte a nossa.


leão

26jul18

da cor dos seus olhos
do barco a vela e da estrada
da distância até sua pele da cor
do dia cedo que vem pra te buscar;
do desenho que faço na sua pele
da música que ouvi outro dia
do sorriso que faço pra você 
de toda cor que deixa quando me fotografa;
da luz negra no cinema
da estação às seis
da terra inteira em transe
do céu infinito.


porque as coisas acontecem de uma vez só
não tem aviso e nem tempo pra gente pensar

pode ser a grande oportunidade da sua vida
pode ser o jeito que seus olhos me percebem
e sua voz que me parece cada vez mais bonita,
pode ser todas as piores notícias 
que te derrubam de uma só vez
ou pode ser a maior sorte do mundo
dentro de uma garrafa sem rótulo nenhum,
pode ser o medo que chega no meio da madrugada
e te tira a droga do sono ou 
pode ser o beijo que eu te peço pra me dar
e você me dizendo que sim.

as pessoas e as coisas e a vida
tudo de forma desordenada vindo em nossa direção
e a gente só pode mesmo é deixar tudo pronto.